No Rio Grande do Sul, o dia começa de um jeito próprio. Antes mesmo do café, a água já esquenta, a cuia circula e o silêncio da manhã ganha companhia. Para muitos gaúchos, o primeiro gole de chimarrão é um ritual que atravessa gerações. Celebrado em 24 de abril, o Dia do Chimarrão reforça esse vínculo entre cultura, território e identidade, ao mesmo tempo em que evidencia o potencial econômico da erva-mate produzida no Estado.
Mais do que símbolo regional, a erva-mate gaúcha vem ampliando seu reconhecimento pela origem e pela qualidade. Um dos principais marcos desse movimento é a Indicação Geográfica (IG) da erva-mate da Região de Machadinho, no Nordeste do Estado, distinção que valoriza o território e o saber-fazer construído ao longo do tempo.
Para André Bordignon, Analista de Agronegócio do Sebrae RS, o reconhecimento da IG representa um divisor de águas. “É um marco para qualquer território, pois protege a identidade do produto e o conhecimento associado a ele. No caso da erva-mate, estamos falando de um elemento profundamente ligado à construção da figura do gaúcho, desde os povos originários até os dias atuais”, afirma.
Segundo ele, diferentemente de outras regiões onde a erva-mate é tratada predominantemente como commodity, no Rio Grande do Sul ela ocupa um espaço central na vida social. Destaca que “o chimarrão traduz um vínculo cultural cotidiano, o que influencia diretamente a busca por qualidade e diferenciação”.
Essa diversidade também se reflete no perfil do produto. O Estado reúne cinco polos ervateiros: Alto Taquari, Alto Uruguai, Celeiro Missões, Região dos Vales e o polo Nordeste Gaúcho. É dentro desse último que está localizada a Região de Machadinho, uma área específica reconhecida por Indicação Geográfica, que abrange dez municípios. “O grande diferencial da erva-mate gaúcha é justamente a sua pluralidade. Não existe uma única erva, mas diferentes expressões sensoriais”, explica Bordignon.
Entre a cuia compartilhada no dia a dia e as novas possibilidades que surgem no mercado, a erva-mate reafirma sua força como símbolo cultural e ativo econômico do Rio Grande do Sul. No Dia do Chimarrão, mais do que celebrar um costume, o Estado evidencia a capacidade de transformar tradição em valor sem perder a essência que faz do mate um dos principais ícones da identidade gaúcha.

