As previsões climáticas mais recentes indicam que o El Niño será uma realidade no Rio Grande do Sul, embora exista dúvidas sobre sua intensidade ao longo de 2026. O El Niño é um fenômeno climático que acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera os ventos e influencia o clima em várias partes do mundo. Para os países da América do Sul são esperadas mais chuvas e enchentes em algumas regiões. Especialmente para a região sul do Brasil são esperadas chuvas intensas e enchentes.
O impacto do fenômeno no agronegócio, nas cidades e nos governos foi o tema do Tá na Mesa da FEDERASUL desta quarta-feira, 27, que contou com a presença do presidente da Brasoja, Antônio Sartori, do secretário de estado da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi e do prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) Sebastião Melo.
Sartori, disse que o cenário ainda é de muita incerteza. Mas que “o mais provável é que ocorra um fenômeno de intensidade moderada a forte até o final do ano. Acrescentou que embora ainda não esteja confirmado um evento extremo, as condições atuais justificam a adoção de medidas preventivas robustas, considerando a experiência histórica do país diante de eventos de menor magnitude, mas de alto impacto”.
Já o prefeito Sebastião Melo lembrou que as cidades precisam se preparar para as mudanças climáticas e eventos extremos e que em Porto Alegre muito já foi feito deste as enchentes de 2024. “Hoje a cidade está muito mais segura”, assegurou ao acrescentar que foi elaborado um plano de contingência que reúne um conjunto de ações previamente organizadas para enfrentar situações emergenciais. Explicou que o plano serve para orientar as comunidades sobre o que fazer caso aconteça um problema grave, reduzindo danos e acelerando respostas.
O secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi apresentou as medidas em andamento adotadas pelo governo do estado a curto, médio e longo prazo. Disse que muito foi feito nos dois últimos anos, através de medidas classificadas nos eixos emergencial, de recuperação, preparação e governança e nos eixos de diagnóstico e resiliência. Expôs os investimentos em radares, estações hidrometerealógicas, plano de contingência de proteção e defesa civil, recuperação de rodovias, rios e canais, batimetria e tomografia, entre outros.
REGIÃO METROPOLITANO
No começo da semana, o tema foi também discutido durante Encontro Metropolitano da Defesa Civil realizado pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), em Alvorada. Conforme a climatologista Natalia Pereira, da Catavento Meteorologia e Meio Ambiente, o Rio Grande do Sul deve estar preparado para o final da primavera, verão e início do outono de 2027 para o impacto do El Niño. Hoje, o fenômeno climático tende a ser muito forte, segundo ela.
“Temos a previsão de um El Niño mais forte e chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. Precisamos seguir fazendo o acompanhamento para sabermos se as chuvas serão mais distribuídas ou concentradas em um período menor como em 2023 e 2024”, explica a diretora da Catavento.
O Encontro Metropolitano da Defesa Civil reuniu a Defesa Civil do Estado, a Secretaria de Reconstrução Gaúcha, e mais de 20 municípios da região metropolitana para a realização do diagnóstico geral sobre o fenômeno climático e o alinhamento entre municípios para compartilhamento de ideias e consolidação de uma preparação conjunta. Douglas Martello assegura que a Granpal realizou dois encaminhamentos: a criação de um sistema de monitoramento metropolitano para recolhimento de informações, e a proposta de um protocolo conjunto para melhor proteção e redução de danos nos municípios.
Neste sentido, a Granpal está em fase de formalização de um sistema de monitoramento climático disponível para os municípios da região metropolitana. O objetivo é que todos os municípios do Consórcio tenham acesso aos dados sobre o clima. Hoje apenas três possuem (Porto Alegre, Canoas e Guaíba). Martello também sugeriu a prorrogação do pagamento da dívida do Estado com o Governo Federal e que os municípios e o governo estadual já estruturem decretos preventivos.

