Juros altos criam ambiente desfavorável para o setor produtivo, apontam empresários

Foto: Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, de forma unânime, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A expectativa predominante entre analistas financeiros indicava estabilidade no patamar atual, o maior desde 2006. Essa taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.

Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn os setores do comércio e serviços opera atualmente com uma taxa de juros real em cerca de 11,00% ao ano.A questão central, conforme o dirigente, é que a sociedade precisa se colocar diz respeito às razões estruturais que explicam a persistência de juros tão elevados no Brasil.

“A resposta reside, fundamentalmente, no desequilíbrio crônico das contas públicas, somado à crescente participação do crédito direcionado no sistema financeiro. Em 2026, estima-se que cerca de 1,0 ponto percentual do crescimento decorra de impulsos fiscais ou parafiscais promovidos pelo governo federal. Paralelamente, a dívida pública aproxima-se de 80,0% do PIB, apresentando uma trajetória de crescimento incompatível com a sustentabilidade intertemporal das contas públicas”, diz.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, o Banco Central atua dentro dos limites que lhe cabem, diante de um cenário ainda marcado por fortes incertezas fiscais e expectativas de inflação desancoradas. “A raiz do problema está na ausência de sinais mais claros de responsabilidade com as contas públicas por parte do governo federal. Sem uma âncora fiscal confiável, não há ambiente para redução sustentada dos juros e, com isso, não se cria condição ambiente favorável para a indústria produzir”, diz Bier. Para ele, é fundamental reequilibrar essa equação para que o país volte a crescer com segurança e com o protagonismo da indústria”, comentou o dirigente.

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