A inadimplência das pessoas físicas atingiu 37,02% dos adultos no Rio Grande do Sul em julho, permanecendo acima da média brasileira, de 34,4%. Do total de negativados no Estado, 52,5% apresentam renda, presumida através do comportamento de consumo e diversas outras variáveis, de até R$ 2 mil mensais, segundo levantamento da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre com base em dados da Equifax | Boa Vista. No comparativo com junho, o índice gaúcho apresentou queda de 0,04 ponto percentual, marcando a terceira retração consecutiva na comparação com o mês imediatamente anterior. O resultado, contudo, segue bastante próximo da máxima registrada em abril deste ano, quando a inadimplência chegou a 37,35%.
Em Porto Alegre, o índice apresentou leve alta. O percentual de adultos com restrição em crédito, cheque ou protesto atingiu 37,58% em julho, com pequeno aumento de 0,04 ponto percentual frente a junho. A alta interrompe uma sequência de dois meses de queda e aproxima o indicador do recorde constatado em abril, de 37,85%. Na avaliação da Assessoria Econômica da CDL POA, as renegociações do Novo Desenrola Brasil contribuíram para a queda da inadimplência no Estado, embora o efeito do programa seja transitório. A desaceleração recente da inflação, especialmente dos alimentos, também traz algum alívio às famílias de menor renda.
Contudo, de acordo com a análise do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, o cenário segue inspirando cautela: “a sustentação do custo elevado do crédito, os sinais de perda de tração (ainda que gradual) do mercado de trabalho, a falta de educação financeira da população e ampliação das bets (apostas on-line) representam desafios. No Rio Grande do Sul, somam-se a esses fatores os riscos associados ao El Niño.
Inadimplência das empresas volta a subir
Entre as pessoas jurídicas, julho marcou uma inversão da trajetória recente. O percentual de empresas com restrições no Rio Grande do Sul chegou a 16,31%, alta de 0,05 ponto percentual frente a junho e primeira elevação depois de três quedas consecutivas. O Estado permanece com o maior índice de inadimplência empresarial entre as unidades da Federação, acima da média nacional, de 11,6%. Em Porto Alegre, o indicador passou de 16,05% para 16,07%, aumento de 0,02 ponto percentual. Também foi a primeira elevação depois de três meses consecutivos de queda.
Segundo a Assessoria Econômica da CDL POA, o resultado pode refletir o esgotamento dos efeitos de programas de renegociação de dívidas empresariais, especialmente modalidades bastante demandadas pelos pequenos empreendedores, como Pronampe e Procred. A moderação gradual do nível de atividade econômica também aparece como um fator relevante.

