O percentual de bares e restaurantes do Rio Grande do Sul que operaram com lucro caiu de 43% em agosto para 38% em setembro. É o que aponta a pesquisa mais recente da seccional gaúcha da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel no RS), realizada entre os dias 13 e 20 de outubro. Apesar da retração, o resultado ficou dois pontos percentuais acima da média nacional, de 36%. O levantamento também revela expectativas positivas para os próximos meses: 74% dos estabelecimentos afirmam que as festas de fim de ano contribuem para aumentar o faturamento.
Em setembro, 37% das empresas gaúchas registraram equilíbrio financeiro, enquanto 25% operaram com prejuízo. Em agosto, esses percentuais eram de 37% e 20%, respectivamente. Os números indicam um aumento de cinco pontos percentuais na proporção de negócios que fecharam o mês no vermelho. O desempenho do faturamento também reflete as dificuldades enfrentadas pelo setor. Segundo a pesquisa, 47% dos estabelecimentos registraram queda nas vendas em setembro, na comparação com agosto. Outros 26% mantiveram o faturamento estável e 24% apresentaram crescimento. Os 3% restantes correspondem a empresas que ainda não existiam no mês anterior.
Com a proximidade do verão e das festas de fim de ano, os empresários demonstram expectativas positivas para o faturamento dos estabelecimentos. Para 74% dos entrevistados, o período festivo contribui para elevar as receitas. Entre os negócios consultados, 48% esperam faturar até 10% a mais do que no fim de 2025.
A expectativa de maior faturamento, no entanto, ainda não se traduz em uma ampliação generalizada das equipes. Ao todo, 24% dos estabelecimentos pretendem realizar contratações para atender à demanda de fim de ano.
Para o presidente da Abrasel no Rio Grande do Sul, Leonardo Dorneles, o período será importante para a recuperação dos resultados. “O cenário de setembro confirma a resiliência do setor no Estado, embora a pressão dos custos acumulados ainda imponha cautela na ampliação das equipes. As férias, festas de fim de ano e o avanço do turismo serão o impulso decisivo para destravar o consumo e recuperar as margens”, afirma.
Endividamento e pressão sobre os preços
A pesquisa também aponta que 29% dos bares e restaurantes gaúchos possuem pagamentos em atraso, percentual oito pontos percentuais abaixo da média nacional. Entre os estabelecimentos com contas em atraso, os impostos federais aparecem como a principal pendência, mencionados por 82% dos entrevistados. Na sequência estão os tributos estaduais (58%), as dívidas bancárias (42%) e os encargos trabalhistas (29%).
Em relação aos preços praticados nos últimos 12 meses, 30% dos estabelecimentos não realizaram reajustes. Outros 62% aplicaram aumentos conforme ou abaixo da inflação, enquanto 8% reajustaram os valores acima do índice inflacionário.

