Indústria brasileira teve em agosto o pior desempenho em uma década, diz CNI

Foto: Crédito: Roberto Dziura Jr. / AEN

A indústria brasileira registrou em agosto de 2025 o pior desempenho para o mês desde 2015. A avaliação é da Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quinta-feira, 18. Os empresários relataram queda na produção, redução no número de empregados e recuo na utilização da capacidade instalada. O cenário contrasta com a tendência histórica de expansão em agosto e reforça o cenário adverso enfrentado pela indústria. A sondagem também revelou que a intenção de investir da indústria recuou, ao registrar 54,4 pontos em setembro, queda de 0,2 ponto em relação a agosto. É a terceira queda consecutiva para este indicador.

De acordo com o levantamento, o índice de evolução da produção caiu para 47,2 pontos, abaixo da linha divisória dos 50 pontos que separa crescimento de retração. Esse foi o resultado mais baixo para o mês em dez anos, desde que o indicador marcou 42,7 pontos em 2015. A pesquisa também mostra que o número de empregados recuou, com índice de 48,4 pontos, o que aponta a diminuição das contratações entre julho e agosto. A queda destoa do desempenho recente, já que desde 2020 a indústria registrava alta no emprego no período, com exceção de 2023.

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, de forma geral, a Sondagem de agosto traz uma mensagem clara: “O cenário adverso que a indústria vem atravessando desde o início de 2025 está se aprofundando. Os empresários relatam uma percepção de queda considerável da atividade em um mês em que tradicionalmente acontece o inverso”, explicou.

Para Azevedo também chama a atenção que os empresários indicaram queda do número de empregados, que usualmente demora a reagir diante de um cenário de dificuldades. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da Indústria teve uma redução entre julho e agosto de 2025, de 71% para 70%. O percentual é menor ao observado em agosto de 2024 (72%), mas idêntico ao de agosto de 2023 (70%).

No caso dos estoques, houve estabilidade. O índice de evolução do nível de estoques ficou em 50 pontos, o segundo mês consecutivo sem variações relevantes. Já o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado ficou em 49,8 pontos, próximo da neutralidade, o índice do mês revela que os estoques se encontram ajustados conforme o planejado pelos empresários industriais.

EXPECTATIVA

Em setembro, os índices de expectativa de demanda e de compra de insumos e matérias primas recuaram de 0,8 ponto, para 52,3 pontos, enquanto o de compra de insumos e matérias-primas caiu para 51,3 pontos. Apesar das reduções, ambos permaneceram acima de 50 pontos, ainda com o indicativo de expectativa de crescimento, mas em ritmo menos intenso.

Já os indicadores de quantidade exportada se mantiveram inalterado (46,6 pontos) e o de número de empregados subiu 0,3 pontos, totalizando 49,6 pontos. Com isso os indicadores se mantiveram abaixo da linha divisória de 50 pontos em setembro e reforçam a perspectiva de recuo.

“As expectativas refletem esse cenário mais adverso e preocupam. Não só o número de empregados caiu no mês – a expectativa dos empresários é que isso siga acontecendo. A preocupação das empresas exportadoras com suas exportações também segue elevada. E isso tudo vem gerando cautela, com expectativas de demanda e de compras de matérias-primas cada vez mais moderadas”, disse Marcelo Azevedo.

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