Setor de materiais e químicos para couros e calçados apoiam acordo entre Mercosul-UE

Foto: Crédito: Abicalçados

A Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) repercute positivamente a entrada em vigor, mesmo que de forma provisória, do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia neste 1º de maio. No ano passado, as exportações de materiais e químicos para couro e calçado para o mercado da União Europeia geraram mais de US$ 50 milhões, número que deve ser incrementado a partir do acordo comercial.

O gestor de Mercado Internacional da entidade, Luiz Ribas Júnior, destaca que a indústria europeia de fabricação de calçados, fortemente concentrada em polos na Itália, Portugal, Espanha e Leste Europeu, demanda produtos como adesivos, compostos poliméricos, solados, químicos para couro, tecidos tecnológicos, produtos técnicos, palmilhas, partes de calçados em geral, entre outros produtos. “A desgravação gradual das tarifas de importação de componentes, hoje de até 17%, consiste em um diferencial competitivo importante, ainda mais se somada à demanda maior daqueles países por materiais sustentáveis”, explica.

Segundo Ribas Júnior, hoje a China, o Vietnã e a Indonésia detêm participação relevante no fornecimento de materiais na Europa, movimento que vem mudando paulatinamente na medida em que avançam a legislação ambiental, a demanda por produtos sustentáveis e aumentam os preços dos fretes internacionais. “Historicamente, o importador de componentes europeu optava pela Ásia devido à vantagem de custos, apesar dos longos transit times marítimos. No entanto, três vetores simultâneos estão rompendo este eixo logístico euro-asiático: o encarecimento do frete marítimo global devido a conflitos geopolíticos e gargalos em estreitos vitais; a ascensão dos custos de trabalho nos países do Sudeste Asiático; e, predominantemente, a imposição de um rigoroso pacote de legislação de sustentabilidade pela Comissão Europeia”, comenta o gestor, destacando que o cenário indica uma vantagem para a indústria brasileira de materiais por essa ser a única do setor no mundo que possui uma certificação de sustentabilidade, o Origem Sustentável.

“A integração sistêmica das exigências ambientais afeta o modelo de negócios de baixo custo asiático, fundamentado em mão-de-obra menos onerosa e flexibilização ambiental. Ao combinar o livre comércio proporcionado pelo novo acordo com a capacidade instalada do Brasil de produzir materiais verdes e atóxicos, o mercado europeu inclina-se naturalmente a migrar suas aquisições para o Mercosul”, conclui.

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