Um estudo inédito da Serasa, realizado com base nos dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas, projeta impacto potencial de até 9,6% sobre o volume de inadimplentes até o encerramento do Novo Desenrola Brasil – iniciativa do Governo Federal para renegociação de dívidas de famílias, estudantes, e pequenas empresas, que teve início em maio e vai até agosto. No cenário mais favorável, estima-se que cerca de 7,8 milhões de brasileiros poderiam deixar a inadimplência ao longo do Programa, fazendo com que o número de consumidores negativados caia de 83,4 milhões para aproximadamente 75,4 milhões.
O levantamento identificou que, somente na base da Serasa, existem 41 milhões de dívidas que se enquadram nos critérios do programa do Governo Federal, que contempla pessoas com dívidas acima de R$100 com instituições financeiras, atrasadas entre 90 dias e 2 anos, e com renda de até cinco salários-mínimos (R$8.105). Ao todo, cerca de 24 milhões de consumidores podem ser beneficiados pelas condições especiais de negociação oferecidas pela ação.
No Rio Grande do Sul são 1.7 milhão de dívidas que se enquadram nos critérios do Desenrola, beneficiando 1 milhão de consumidores gaúchos.
“Programas de renegociação tendem a produzir alívio imediato nos indicadores de inadimplência, especialmente ao ampliar o acesso a condições excepcionais de negociação” afirma Aline Maciel, diretora da Serasa. “Historicamente, os efeitos costumam ser mais concentrados no curto prazo, dependendo de fatores estruturais da economia para se sustentarem ao longo do tempo, como um ambiente de juros mais baixos, além da continuidade de ações econômicas e de educação financeira, evitando que os benefícios sejam apenas temporários”.
Os dados mostram o tamanho do público potencialmente elegível ao programa em um momento em que a inadimplência brasileira segue em patamares recordes. Segundo atualização do Mapa da Serasa, mais da metade da população adulta do país possui algum tipo de dívida negativada e as instituições financeiras seguem como principal segmento dos débitos, representando 47,3% do total.

