Estudo aponta crescimento de 34% do PIX, que já movimenta mais de R$ 35 trilhões

Foto: Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

O PIX se consolidou como o principal meio de pagamento nas liquidações imediatas, especialmente em operações à vista, de menor valor e maior frequência. Estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que, em termos nominais, o volume movimentado nessa modalidade cresceu 34%, entre 2024 e 2025, atingindo R$ 35,3 trilhões, após os R$ 26,4 trilhões observados em 2024. O levantamento, feito com base nos dados do Banco Central (BC), aponta um crescimento ainda mais expressivo entre o quarto trimestre de 2023 e o mesmo período de 2025, com alta de 93%.

O crescimento da modalidade, ao permitir liquidação mais rápida e redução na dependência dos prazos do cartão, melhora o fluxo de caixa das empresas, principalmente entre pequenos negócios e prestadores de serviços. Cartão de crédito mantém relevância no consumo. Apesar do avanço do PIX, o cartão de crédito segue relevante, impulsionado pela necessidade das famílias de sustentar o consumo e pelo parcelamento. Além da flexibilidade, o cartão amplia o poder de compra no curto prazo.

Segundo o estudo, o volume movimentado em cartões de crédito cresceu 14%, em termos nominais, entre 2024 e 2025, passando de R$ 2,6 para R$ 3 trilhões. Já na comparação entre o quarto trimestre de 2023 e de 2025, a alta foi de 30%. Em valores nominais, o total transacionado passou de R$ 630,7 bilhões para R$ 821,3 bilhões. Com o uso ainda intenso do cartão, a redução da taxa de desconto (MDR, do inglês “Merchant Discount Rate”) beneficia os lojistas ao melhorar as margens — sobretudo em setores com maior volume de vendas nessa modalidade. Mesmo pequenas quedas já geram efeito relevante, em especial nos negócios com margens mais apertadas.

Entre o terceiro trimestre de 2024 e de 2025, as taxas médias recuaram nas três funções do cartão. O crédito seguiu como a modalidade mais cara, enquanto o débito é a mais barata e o pré-pago ocupa posição intermediária. Esse movimento reflete maior concorrência entre credenciadoras, ganhos de escala, amadurecimento tecnológico e a pressão do PIX. Assim, o MDR do crédito caiu de 2,36%, em 2022, para 2,15%, em 2025; o débito recuou de níveis acima de 1,16% para 1,08%; e o pré-pago passou de 1,68%, em 2021, para 1,47%, em 2025. Na avaliação da FecomercioSP, a concorrência com o PIX e a busca por eficiência devem manter a pressão por redução de custo no mercado de cartões, ainda que de forma gradual.

PARCELAMENTO

Apesar da queda no MDR, o parcelamento continua sendo um dos principais fatores de custo do cartão de crédito. Isso exige das empresas decisões mais criteriosas sobre o número de parcelas, a diferenciação por produto, o canal e o perfil de clientes, além da revisão de políticas de parcelamento sem juros.

A tecnologia também influencia os custos. O canal online segue como o mais caro, em razão dos grandes riscos operacionais e de fraude. Os pagamentos recorrentes cresceram 11% e demandam atenção, especialmente em serviços por assinatura, enquanto o pagamento por aproximação permaneceu estável. Já os canais presenciais eletrônicos (chip e tarja) continuam sendo os mais eficientes em termos de custos.

Segundo a Federação, as taxas mais elevadas no crédito parcelado e nas vendas online indicam que o custo financeiro ainda pesa na formação de preços. Com o avanço do e-commerce, que apresenta maior custo de aceitação, as empresas precisam aprimorar a gestão de preços, fretes, antifraude e meios de pagamento. Incentivar opções mais baratas, usar o parcelamento com critério e monitorar o impacto do online sobre a margem são medidas essenciais.

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