O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, na reunião terminada nesta quarta-feira, 29, pela redução da taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano, no segundo corte desde maio de 2024, e que terá validade até a próxima reunião do comitê em nos dias 16 e 17 de junho. No comunicado em que justifica sua decisão, amplamente esperada pelo mercado financeiro, o Banco Central afirma que “decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% ao ano, e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz o comunicado
ENTENDA A SELIC
A taxa básica de juros é uma forma de piso para os demais juros cobrados no mercado. Ela serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, perto da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam alternativas de investimento.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando os juros básicos são reduzidos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.
A Selic é usada nos empréstimos entre bancos e nas aplicações que as instituições financeiras fazem em títulos públicos federais. É a taxa Selic que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo em empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.
ESTADOS UNIDOS
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu pela manutenção da taxa de juros no mercado americano na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 29, veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Foi a terceira reunião consecutiva em que o banco central americano manteve a taxa no mesmo nível. Em 28 de janeiro, o Fed interrompeu um ciclo de três cortes seguidos, citando incertezas nas perspectivas econômicas.
Em comunicado, a autoridade monetária afirmou que o crescimento do emprego tem sido moderado, enquanto a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses. A inflação, porém, segue acima da meta de 2%. Esta é a última definição de juro sob o comando de Jerome Powell, já que o mandato do chefe do Fed termina no próximo dia 15 e desde o início do atual governo ele tem sido alvo de pressões, perseguições e até xingamentos vindos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

