O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, o lucro recorrente chegou a R$ 17,1 bilhões. Os resultados financeiros, apresentados em São Paulo (SP) nesta quarta-feira, 12, também revelaram que o BNDES atingiu R$ 1,05 trilhão em ativos totais e R$ 181 bilhões em Patrimônio Líquido.
“É muito raro combinar essas condições: um consistente e acelerado crescimento do volume de crédito com uma rentabilidade que é a segunda maior do mercado financeiro”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Uma empresa 100% pública pode ser muito bem administrada, com muita eficiência e produtividade. Os empregados do BNDES são altamente qualificados e entregando resultados muito além de outras instituições”, acrescentou durante a apresentação.
O desempenho operacional da instituição no primeiro semestre de 2026 também registra alta nas consultas, aprovações e desembolsos. O total de aprovações de crédito e operações garantidas aumentou 19% em relação ao primeiro semestre de 2025.
O diretor de Finanças e Mercado de Capitais do BNDES, Alexandre Abreu, que conduziu a primeira parte da apresentação, destacou a injeção de crédito de R$ 154 bilhões, sendo R$ 43,4 bilhões em garantias. “São os créditos aprovados aqui no BNDES mais aquilo que o Banco, através da sua gestão do FGI [Fundo Garantidor de Investimento], consegue aprovar de crédito de outros bancos, de bancos comerciais no Brasil”, explicou.
As aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões, aumento de 52% em relação ao mesmo período de 2025. Os maiores crescimentos foram observados no crédito à infraestrutura (+ 91%) e agropecuária (+ 46%), somando R$ 46 bilhões e R$ 24,8 bilhões, respectivamente. Os créditos ao comércio e serviços somaram R$ 17,3 bilhões (+ 27%) e à indústria R$ 22,5 bilhões (+ 24%).
APOIO
O apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) alcançou R$ 108,2 bilhões nos primeiros seis meses deste ano, com alta de 22% sobre 2025 (R$ 88,8 bilhões). As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros alcançaram R$ 43,4 bilhões, enquanto as aprovações de crédito somaram R$ 64,8 bilhões.
O volume dos desembolsos do BNDES alcançou R$ 74,8 bilhões no semestre, aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2025, mantendo a tendência de alta da carteira expandida. As consultas cresceram 72% em relação ao primeiro semestre de 2025, totalizando R$ 237,7 bilhões.
“As aprovações dos últimos 12 meses chegaram a 2,1% do PIB [Produto Interno Bruto]. Já os desembolsos, que representavam 1% do PIB há três anos, chegaram a 1,4% do PIB”, disse o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do banco, Nelson Barbosa. “É um impulso que chega aonde precisa. Chega à infraestrutura, à inovação, às MPME, e tem um grande impacto positivo no desenvolvimento da economia brasileira”, acrescentou.
A inadimplência da instituição, de 0,05% (90 dias), permanece inferior à do Sistema Financeiro Nacional (4,68% geral e 0,66% para grandes empresas em junho de 2026).
No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido, considerando os ganhos com alienações de não coligadas registrados diretamente em lucros acumulados (mudança de regra da Resolução CMN nº 4.966/2021, em vigor desde janeiro de 2025), foi de R$ 14,9 bilhões, com aumento de 12% comparado ao mesmo período de 2025.
Efeitos não recorrentes incluem principalmente receitas de dividendos e juros sobre o capital próprio de R$ 1,6 bilhão, oriundos de Petrobras e JBS, resultado com vendas de ações de R$ 3,9 bilhões (destacando R$ 2,8 bilhões de Petrobras e R$ 0,8 bilhão de COPEL), e despesa com provisão para risco de crédito de R$ 0,2 bilhão, efeitos líquidos de tributos.
ATIVOS
Em 30 de junho de 2026, os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 1.058,3 trilhão, aumento de R$ 95,8 bilhões (10,0%) em relação a dezembro de 2025, especialmente pelo crescimento de R$ 76,5 bilhões da Tesouraria e de R$ 20,5 bilhões da carteira de crédito expandida.
Os financiamentos de créditos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, que compõem a carteira de crédito expandida, mantiveram a trajetória de crescimento, atingindo o montante de R$ 684 bilhões em 30 de junho de 2026 (3,1% acima de dezembro de 2025).
A carteira de participações societárias totalizou R$ 85,4 bilhões, com rendimento de R$ 57,4 bi desde 2023, decorrente de valorização e dividendos, descontadas compras e vendas. O resultado é relativamente estável em relação à posição de dezembro 2025 pela flutuação de valor de investimentos em empresas não coligadas e alienações de ações. As principais empresas investidas em termos de carteira total continuam sendo Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel.
O patrimônio líquido encerrou o primeiro semestre de 2026 com o saldo de R$ 180,5 bilhões. O aumento de R$ 8,5 bilhões frente ao saldo de dezembro de 2025 decorre do lucro líquido de R$ 14,9 bilhões e Ajuste de Avaliação Patrimonial positivo de R$ 0,4 bilhão, atenuados pela destinação de R$ 6,8 bilhões como dividendos complementares relativos ao exercício de 2025.

