O Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS) avançou 4,7% em fevereiro frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Com isso, a atividade industrial gaúcha retoma patamares observados em setembro de 2025. Os dados foram divulgados pelo Sistema FIERGS, nesta quarta-feira, 8.
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o resultado demonstra a resiliência do industrial gaúcho, embora os cenários nacional e internacional ainda estejam longe de apresentar condições favoráveis para um crescimento sólido. “É um primeiro passo para retomarmos uma atividade forte e mais consistente, mas os desafios provocados pelas tensões geopolíticas e pelas discussões internas sobre redução da jornada de trabalho, por exemplo, impactam no desempenho da indústria e fazem os empresários puxarem o freio dos investimentos”, avalia.
Conforme a pesquisa, o avanço foi impulsionado por componentes do índice, como as compras industriais, que cresceram 14,4%, e o faturamento real, com alta de 4,3% no mês. Também houve aumento nas horas trabalhadas na produção (2,6%) e na utilização da capacidade instalada, que avançou de 77,3% para 78,9%. Por outro lado, os indicadores do mercado de trabalho recuaram: a massa salarial diminuiu 0,4% e o pessoal ocupado, 0,3%.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IDI-RS recuou 4,6% em fevereiro de 2026, registrando o pior desempenho para meses de fevereiro desde 2015 nessa base de comparação. O resultado foi influenciado principalmente pelas quedas nas compras industriais (-16,4%) e no faturamento real (-6,1%).
ACUMULADO DO ANO
No acumulado do ano, o IDI-RS registra queda de 6,8%. As compras industriais registraram queda de 22,5%, marcando o quarto resultado negativo consecutivo e a segunda queda seguida em patamar de dois dígitos. O faturamento real caiu 9,6%, no sétimo mês consecutivo de retração.
Também foram registradas reduções de 4,3% nas horas trabalhadas na produção, de 1,8 ponto percentual na utilização da capacidade instalada e de 0,5% no pessoal ocupado. A única variável com desempenho positivo nessa base de comparação foi a massa salarial real, que cresceu 2,4%.
Entre os 16 segmentos pesquisados, 13 apresentaram queda nos dois primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2025. Os setores de veículos automotores (-17,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-21,4%), máquinas e equipamentos (-7,3%) e produtos de metal (-9,1%) exerceram as maiores influências negativas. Entre os que apresentaram crescimento, destacam-se os segmentos de Alimentos (+4,8%) e Móveis (+2,7%).

