O mercado de distribuição de veículos do Rio Grande do Sul encerrou o primeiro semestre de 2026 com 89.144 unidades emplacadas, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos. O resultado representa crescimento de 2,65% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram comercializadas 86.840 unidades. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 9 pelo Sincodiv/Fenabrave-RS.
Embora ainda abaixo do recorde histórico registrado em 2019, quando o Estado alcançou 92.225 emplacamentos no primeiro semestre, o desempenho atual confirma 2026 como o melhor primeiro semestre dos últimos sete anos, consolidando a recuperação gradual do setor automotivo gaúcho. Somente em junho foram comercializadas 15.771 unidades, alta de 3,74% sobre maio e crescimento de 17,87% em comparação com junho de 2025.
Para o presidente do Sincodiv/Fenabrave-RS, Jefferson Fürstenau, o resultado demonstra a capacidade de recuperação do mercado mesmo diante de um ambiente econômico ainda desafiador. “Encerramos o melhor primeiro semestre desde 2019. Mesmo convivendo com juros elevados, restrições ao crédito em alguns segmentos e os reflexos da economia gaúcha, especialmente sobre o agronegócio, o setor demonstrou resiliência. O consumidor voltou às concessionárias, novas tecnologias ganharam espaço e o mercado segue mostrando capacidade de adaptação e crescimento.”
O segmento de automóveis permanece como principal responsável pelo desempenho estadual. Entre janeiro e junho foram comercializados 47.127 automóveis, crescimento de 9,31% frente ao mesmo período de 2025. Apenas em junho foram 8.958 unidades, alta de 25,64% sobre junho do ano passado. No ranking nacional, o Rio Grande do Sul ocupa a 6ª colocação em volume de vendas de automóveis.
COMERCIAIS LEVES
Os comerciais leves encerraram o semestre com 10.758 unidades, retração de 14,76% em relação ao primeiro semestre de 2025. Embora junho tenha apresentado estabilidade (+0,71% sobre junho de 2025), o acumulado reflete principalmente um ambiente econômico mais cauteloso para pequenos empresários, produtores rurais e prestadores de serviços, segmentos que tradicionalmente respondem por parcela importante da demanda desses veículos. O Rio Grande do Sul ocupa atualmente a 7ª posição nacional no segmento.
O segmento de caminhões acumulou 3.328 emplacamentos, queda de 21,79% no semestre. A recuperação observada em junho, com crescimento de 40,5% sobre maio tem bastante influência do programa Move Brasil que para o setor de pesados foi bastante significativo. O mercado de Caminhões apresentou alta de 7,63% frente a junho de 2025, o acumulado ainda reflete os impactos da desaceleração do setor primário gaucho. A redução da renda agrícola, provocada pelas sucessivas estiagens dos últimos anos, pela queda na rentabilidade de importantes culturas e pela maior seletividade no crédito rural, reduziu investimentos em renovação de frota.
Dados recentes do setor agropecuário apontam diminuição na receita dos produtores gaúchos em diversas cadeias produtivas, afetando diretamente a demanda por veículos de transporte de cargas e equipamentos. Mesmo diante desse cenário, o Estado mantém a 5ª colocação nacional em vendas de caminhões. Ônibus apresentam recuperação em junho
As vendas de ônibus totalizaram 549 unidades no semestre, retração de 25% frente ao primeiro semestre de 2025. Junho, entretanto, registrou reação importante, com 124 unidades comercializadas, crescimento de 37,8% sobre maio, também influenciado pelo Programa Move Brasil. O Rio Grande do Sul ocupa a 6ª colocação nacional no segmento. Motocicletas mantêm crescimento As motocicletas continuam apresentando desempenho positivo no Estado. Foram 18.626 unidades comercializadas no semestre, crescimento de 6,65% sobre 2025.
Apesar da pequena retração em junho frente a maio (-1,8%), o segmento segue impulsionado pela expansão dos serviços de entrega, mobilidade urbana e alternativas de transporte de menor custo. No ranking nacional, o Estado ocupa a 19ª colocação, posição influenciada pelo perfil histórico da frota gaúcha, menos dependente desse modal do que outras regiões do país. Mesmo apresentando retração de 12,2% no semestre, com 2.663 unidades comercializadas, o Rio Grande do Sul permanece como um dos principais mercados brasileiros para implementos rodoviários. O Estado ocupa a 4ª colocação nacional, refletindo a força de sua indústria implementista e da cadeia logística regional.

