A decisão preliminar do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), que anunciou nesta terça-feira, 2, recomendação para uma nova taxa de 25% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos, repercutiu negativamente no setor calçadista. Conforme o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), embora a decisão tomada no âmbito da Seção 301 seja passível de reversão, preocupa a atividade.
“Historicamente, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de calçados. A medida é anunciada em um momento de recuperação, após queda do tarifaço de 50%, ocorrida no final de fevereiro. A possibilidade de nova tarifa adicional traz mais insegurança tanto para o exportador brasileiro quanto para o importador norte-americano”, avalia o dirigente, ressaltando que a iniciativa tem potencial de criar uma desvantagem competitiva para as exportações nacionais em benefício de outros exportadores para os Estados Unidos, em especial os asiáticos.
Negociação
A decisão ainda não é definitiva e será submetida a consulta pública até 15 de julho, período em que poderão ser apresentados argumentos técnicos e econômicos pelas partes interessadas. A Abicalçados avalia que há margem para revisão da medida por meio do diálogo bilateral e da atuação coordenada entre governo e setor privado. A entidade seguirá acompanhando as discussões e contribuindo para a defesa dos interesses da indústria calçadista brasileira no mercado norte-americano.
Em abril, as exportações para os Estados Unidos contabilizaram 842,9 mil pares e geraram US$ 14,72 milhões, incrementos de 16,5% e 40,5%, respectivamente, ante o quarto mês do ano passado. Já no acumulado do quadrimestre, as exportações para o destino somaram 3,8 milhões de pares e US$ 54,5 milhões, alta de 7,8% em volume e queda de 18,9% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2025.

