Apesar do otimismo comercial, a saúde financeira dos consumidores acende um alerta: 34% dos compradores admitem que gastarão mais do que podem mas compras do Dia dos Namorados. O apelo emocional é o grande motor: 66% justificam o gasto excessivo afirmando que o parceiro(a) “merece o esforço”. A situação é ainda mais delicada para uma parcela da população: 32% dos que pretendem presentear possuem contas em atraso (69% deles estão negativados) e 10% admitem que vão deixar de pagar alguma conta básica para viabilizar a compra do presente. É o que aponta pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offerwise Pesquisas.
A alta inadimplência do país se mostra presente também na data uma vez que 20% dos que compraram em 2025 ficaram com o “nome sujo” devido aos gastos da data, sendo que metade destes ainda não regularizou a situação. A exposição digital nas redes sociais atua como um catalisador de gastos para 38% dos consumidores, que admitem extrapolar suas finanças devido manutenção de “status e aparência”. Esse grupo desdobra-se em 28% de pressão moderada (gastar a mais apenas para que o parceiro exiba um item validado pelo círculo de amigos no Instagram ou TikTok) e 10% de pressão total (necessidade explícita de ostentação de marcas e apelo visual de alto impacto).
Diante da falta de limite ou saldo no momento da transação, a flexibilidade prevalece sobre a perda da venda. A maioria, 67%, realiza um ajuste de ticket, migrando para um presente de menor valor. Para tentar sustentar o plano inicial, 22% buscam gerar renda extra rápida e 16% recorrem ao capital de terceiros (empréstimos ou cartões de crédito de amigos e parentes). A taxa de desistência total e abandono do consumo é residual, fixada em apenas 8%.
REDES SOCIAIS
A influência digital é inegável na hora da compra, 35% dos consumidores sentem-se impactados pelas redes sociais (Instagram e TikTok). Enquanto 32% destacam o impacto visual das vitrines físicas, já 30% são influenciados pelos buscadores de informações e 22% pelas indicações de amigos e parentes. Embora a preferência por transações à vista seja majoritária, o parcelamento funciona como uma ferramenta essencial de viabilização do consumo. 64% pretendem pagar as compras à vista, consolidando o PIX como o principal meio de pagamento utilizado (38%).
O pagamento parcelado será a opção de 34% dos compradores, centralizado no cartão de crédito parcelado (26%). A média geral está fixada em 3,7 prestações. Para 75% dos que vão parcelar, a capacidade financeira de honrar as parcelas é relevante (39% só compram se tiverem certeza do pagamento e 36% admitem que a parcela apertará as finanças, mas darão “um jeito”). No outro extremo, 25% desconsideram a saúde financeira no ato da compra, focando no momento feliz.
A pesquisa mostra que o consumidor está atento aos preços. Uma vez que 76% farão pesquisa de preço prévia — utilizando a internet (89%) e meios físicos (68%). Mais da metade (53%) afirmam que os produtos estão mais caros em relação ao ano passado, 39% acreditam que estão na mesma faixa de preço e 8% que estão mais baratos.

