O Consumo nos Lares Brasileiros registrou alta de 4,33% na comparação entre outubro de 2025 x outubro de 2024, segundo o monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Em relação a setembro, o indicador avançou 3,52%. Com esses resultados, o consumo acumula alta de 2,73% de janeiro a outubro. Para o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan, o resultado mais robusto de outubro indica uma tendência de aceleração do consumo na reta final do ano. “O mercado de trabalho segue favorável com um milhão a mais de pessoas trabalhando com carteira assinada no setor privado na comparação anual. Esse reforço na ocupação, combinado ao pagamento de benefícios e ao abono natalino — que neste ano injetará cerca de R$ 48 bilhões a mais do que em 2024 — amplia a capacidade de consumo das famílias”, destaca.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, o contingente de trabalhadores do setor privado com carteira assinada alcançou 39,229 milhões de pessoas, mantendo estabilidade no trimestre encerrado em setembro. Na comparação anual, houve avanço de 2,7%, o equivalente a mais 1 milhão de empregados. No setor público, o número de ocupados chegou a 12,8 milhões, alta de 2,4%, o que representa acréscimo de 299 mil pessoas ante o ano anterior.
Além do mercado de trabalho mais aquecido, recursos disponibilizados ao longo de outubro também contribuíram para estimular o consumo. O programa Bolsa Família destinou R$ 12,88 bilhões a 18,91 milhões de famílias; o Auxílio-gás repassou R$ 542,14 milhões a mais de 5,01 milhões de beneficiários; a liberação de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) somou R$ 2,6 bilhões para aposentados e pensionistas do INSS; e o lote residual do Imposto de Renda transferiu R$ 603 milhões para quase 250 mil contribuintes. Desde 15 de outubro, os pagamentos extras do abono salarial PIS/Pasep também passaram a entrar na economia, totalizando R$ 1,5 bilhão destinados a 1,6 milhão de trabalhadores (15/10 a 29/12).
BENEFÍCIOS REPASSADOS
Em novembro, acrescentam-se os repasses do programa Gás do Povo, que totalizam R$ 3,57 bilhões e atenderão 17 milhões de famílias. Já as duas parcelas do 13º salário dos trabalhadores formais — que serão pagas em novembro e dezembro — devem injetar cerca de R$ 369,4 bilhões na economia, beneficiando 95,3 milhões de pessoas, com valor médio estimado em R$ 3.512,00, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese). O montante previsto em 2025 supera em aproximadamente R$ 48 bilhões o valor estimado em 2024, quando foram pagos R$ 321,4 bilhões a 92,2 milhões de trabalhadores.
O Abrasmercado, indicador que mede a variação de preços de 35 produtos de largo consumo, registrou retração de 0,08% em outubro, marcando a quinta queda mensal consecutiva — ainda que em ritmo menor que nos meses anteriores, quando foram observadas reduções de 0,43% em junho, 0,78% em julho, 1,06% em agosto e 0,64% em setembro. De janeiro a outubro, a variação acumulada é de 0,57%. Com o resultado, o valor médio da cesta passou de R$ 799,70 em setembro para R$ 799,08 em outubro.
No mês, entre os produtos básicos da alimentação, houve queda nos preços do arroz (-2,49%), leite longa vida (-1,88%), açúcar refinado (-0,92%), massa sêmola de espaguete (-0,61%), farinha de mandioca (-0,34%), farinha de trigo (-0,32%) e café torrado e moído (-0,31%). Subiram o óleo de soja (+4,64%) e o feijão (+1,64%). No ano, destacam-se as reduções nos preços do arroz (-22,82%), do feijão (-4,51%) e do leite longa vida (-2,01%).
Entre as proteínas animais, apresentaram quedas os ovos (-2,66%), a carne bovina — corte dianteiro (-0,34%) e pernil (-0,11%). Tiveram altas o corte traseiro (+0,37%) e o frango congelado (+0,36%). No acumulado do ano, tanto o corte traseiro (-2,49%) quanto o dianteiro (-0,60%) registram queda, refletindo um movimento de acomodação dos preços após a forte aceleração observada no segundo semestre de 2024, quando as exportações aquecidas, a demanda interna mais firme e as queimadas pressionaram os valores para cima.
De janeiro a outubro, o pernil registra queda de 2,27%, enquanto o frango congelado acumula alta de 1,68% e ovos, de 5,82%. Nos alimentos in natura, a alta foi mais acentuada na batata (+8,56%) e no tomate (+2,15%). A única retração veio da cebola (-1,13%). Nos produtos de uso pessoal, as variações foram: xampu (+0,68%), creme dental (+0,34%), sabonete (-0,24%) e papel higiênico (-1,00%). Já na limpeza doméstica, houve queda nos preços de detergente líquido para louças (-0,70%), desinfetante (-0,19%) e sabão em pó (-0,17%). Já a alta foi puxada pela água sanitária (+0,47%).

