PIB deve crescer 2% em 2026, projeta CNI

Foto: Crédito: Assintecal/Divulgação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aumentou de 1,8% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país e de 1,1% para 1,6% a expectativa de alta da indústria em 2026. É o que mostra o Informe Conjuntural do 1º Trimestre, divulgado nesta sexta-feira (17). Os serviços e a agropecuária também tiveram as estimativas revistas para cima em relação às projeções feitas em dezembro do ano passado: de 1,9% para 2,1% e de 0% para 1,1%, respectivamente.

“Os ajustes das projeções de crescimento da economia se devem especificamente a três fatores. O primeiro é o desempenho mais positivo do que o esperado para a indústria extrativa nos primeiros meses do ano, puxado pela produção de petróleo e de minério de ferro, dinâmica que deve se repetir nos próximos meses. O segundo é a contínua revisão da previsão para a safra, para a qual se previa queda, e o último fator é um melhor desempenho do setor de serviços, que deve ser sensibilizado pela expansão fiscal”, explica o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

O desempenho acima do esperado da atividade econômica nos primeiros meses de 2026 também contribuiu para a melhora das expectativas e, consequentemente, das projeções. Por outro lado, a qualidade do crescimento econômico, marcado por um desequilíbrio entre consumo e investimento, persiste e preocupa.

“É o tipo de crescimento que não se sustenta. Se nós não tivermos aumento dos investimentos que gere uma oferta maior no futuro e supra o maior nível de consumo, o ritmo de expansão da economia será comprometido”, explica Telles.

Segundo a análise da CNI, o consumo das famílias deve subir 2% em 2026, uma alta de 0,7 ponto percentual frente ao ritmo de crescimento do ano passado. O impulso fiscal, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o crescimento da massa salarial devem impulsionar esse avanço. Já os investimentos devem subir 0,6%, ante alta de 2,9% em 2025, refletindo o impacto dos juros elevados e o endividamento das empresas.

INDÚSTRIA EXTRATIVISTA

A exemplo do que ocorreu no ano passado, a indústria extrativa deve puxar o crescimento do setor industrial em 2026. Menos sensível aos juros elevados, o setor continua exibindo aumento da produção, impulso que deve se ampliar com a elevação do preço do barril de petróleo devido à guerra no Oriente Médio. Por isso, a CNI reviu de 1,1% para 7,8% a projeção de alta do segmento.

Por outro lado, o cenário deve continuar adverso para a indústria de transformação, projeta o documento. Internamente, os custos financeiros causados pelos juros se somam à queda da demanda por bens industriais, à alta das importações, ao encarecimento da mão de obra e ao aumento da carga tributária. No cenário externo, a instabilidade no preço do petróleo pode trazer impacto ao setor de transportes e energia. Com isso, a indústria de transformação deve crescer 0,3% e não mais 0,5% este ano.

O recorde no lançamento e venda de unidades residenciais no fim do ano passado e o anúncio de políticas de estímulo ao setor, como a concessão de crédito para reformas de moradias de famílias de baixa renda, devem impulsionar a indústria da construção em 2026. O setor, no entanto, seguirá penalizado pelas elevadas taxas de juros e, por isso, teve a projeção de crescimento diminuída de 2,5% para 1,3%.

A melhora das expectativas para o desempenho do setor de serviços passa, principalmente, por três fatores: o avanço do rendimento dos trabalhadores, a expansão dos gastos do governo e o aumento da renda disponível decorrente da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O endividamento das famílias, por outro lado, deve atuar como freio ao crescimento do setor. Já a revisão para cima do crescimento da agropecuária se deve à melhora das projeções para a safra e à continuidade do bom desempenho da pecuária.

MERCADO DE TRABALHO

Mesmo com a perda de ritmo da economia, o mercado de trabalho seguirá aquecido, ainda que em menor intensidade do que no ano passado, estima a CNI. Projeta-se alta de 1% da população ocupada, o que levaria a taxa de desemprego a 5,2% no fim de 2026. A baixa desocupação, por sua vez, continuará sustentando ganhos reais de rendimento aos trabalhadores. Por isso, a expectativa é que a massa de rendimento real suba 4,7%.

Apesar dos sinais de moderação da atividade econômica e enfraquecimento do crédito, os núcleos de inflação — que excluem os preços mais voláteis — seguem acima do IPCA “cheio”, há resistência nos preços relacionados aos serviços e piora das expectativas de inflação para 2026 e 2027. Além disso, a deterioração do ambiente externo e riscos geopolíticos podem impactar os preços por aqui. Nesse cenário, a taxa Selic deve encerrar o ano em 12,75% e não em 12%, como a estimativa anterior. Consequentemente, as concessões de crédito devem crescer 2,2%, alta inferior à de 2025 (3,2%).

O estímulo fiscal à economia deve ser maior este ano devido ao aumento dos gastos do governo, em especial por meio das transferências de renda, como previdência, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). A expectativa é que as despesas federais cresçam 4,4% acima da inflação, ante alta de 3,4% em 2025.

Impulsionada pela reoneração da folha de pagamentos, pelo crescimento da massa de rendimentos e pela alta do preço do barril do petróleo — que aumenta a receita relacionada à exploração de recursos naturais pelo governo — a arrecadação federal também deve subir. A CNI espera crescimento real de 5,4% em 2026. Ainda assim, o governo federal deve fechar o ano com déficit de R$ 61,3 bilhões (0,5% do PIB). Sem levar em conta os gastos retirados do cálculo da meta fiscal, projeta-se superávit de R$ 2 bilhões (0% do PIB). Os sucessivos déficits e o alto patamar dos juros devem fazer o endividamento público saltar para 82,2% do PIB, ante 78,6% em 2025.

Uma combinação de fatores, como a alta no preço das commodities, a melhora do acesso ao mercado norte-americano — após queda de parte das tarifas de importação —, e a recuperação da demanda argentina, importante parceiro comercial do Brasil, devem levar a um crescimento de 1,1% no valor das exportações, para US$ 354,3 bilhões. Já as importações tendem a cair, refletindo a perda de dinamismo da atividade industrial interna. A CNI projeta queda de 3,2% nas importações, totalizando US$ 281,5 bilhões. Com isso, a balança comercial brasileira deve registrar saldo positivo de US$ 72,8 bilhões.

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