Sul registra mais de 1,5 milhão de empresas inadimplentes em abril, revela Serasa Experian

Foto: Foto: José Cruz / Agência Brasil

Em abril, a região Sul registrou 1.529.422 empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Ao todo, foram contabilizadas 13.870.928 dívidas negativadas, que somaram cerca de R$ 48,7 bilhões no período. Entre os estados, o Paraná concentrou o maior número de empresas negativadas, com 588.935 CNPJs inadimplentes, seguido por Rio Grande do Sul (518.195) e Santa Catarina (422.292). Em termos financeiros, o Rio Grande do Sul apresentou a maior dívida média por empresa da região (R$ 34.366,93), enquanto Santa Catarina registrou o maior ticket médio (R$ 3.700,57).

No cenário nacional, a inadimplência entre as empresas voltou a crescer em abril de 2026 e atingiu, pela primeira vez desde o início da série histórica, o recorde de 9 milhões de CNPJs negativados em todo o país. No período, o total de dívidas negativadas também bateu recorde e chegou ao volume de 63,7 milhões, somando R$ 220,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía 7,1 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 24.665,91 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.468,99.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que o resultado representa um novo pico da série histórica e reforça a persistência de um ambiente de crédito ainda bastante restritivo para as companhias brasileiras. “O dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026. O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa”, afirma.

Camila complementa que “existe hoje um quadro bastante apertado para as companhias. Mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o nível ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito. A curva de juros continua em patamar de dois dígitos ao longo do tempo, o que traz dificuldades especialmente para empresas que dependem de financiamento e do mercado de capitais para estruturar suas dívidas. Enquanto não houver uma mudança mais estrutural nesse cenário, ainda é muito cedo para afirmar qualquer reversão da tendência observada nos últimos anos”.

Setores inadimplentes e perfil das dívidas

O setor de “Serviços” concentrou 55,6% das empresas negativadas em abril. Na sequência aparecem “Comércio” (32,4%), “Indústria” (8,1%) e o setor “Primário” (0,9%). Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou no segmento de “Serviços” (31,7%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,4%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (7,0%) e “Telefonia” (5,7%).

“A composição das dívidas mostra que uma parcela importante da inadimplência está ligada à sustentação do capital de giro e à manutenção das operações das empresas. Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências. Isso prolonga o processo de regularização financeira”, explica a executiva da datatech.

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em abril de 2026, com destaque para São Paulo (3.076.064), seguido por Minas Gerais (881.652) e Rio de Janeiro (864.722). Na sequência apareceram estados como Paraná (588.935) e Rio Grande do Sul (518.195). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.

Do total de empresas inadimplidas no país, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJs negativados em abril, recorde desde o início da série histórica do indicador. O grupo concentrou o volume de 57,6 milhões de dívidas que somam R$ 191,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,8 contas negativadas, com dívida média de R$ 22.503,39 e ticket médio de R$ 3.328,73.

“As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo, porque dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação. Com juros ainda elevados e maior seletividade na concessão de crédito, essas empresas enfrentam dificuldades adicionais para recompor capital de giro e administrar o fluxo de caixa, o que contribui para a permanência da inadimplência em níveis elevados”, analisa Camila Abdelmalack.

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