Setor produtivo aprova redução da taxa Selic, mas pede avanço na área fiscal

Foto: Crédito: Freepik

A queda de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, que passou para 14,50% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), contribui para aliviar o custo financeiro das empresas e melhora as condições para investir e produzir. Algo fundamental neste início de 2026 mais desafiador para o setor produtivo. “A decisão do Copom de dar continuidade ao processo de redução na taxa Selic é acertada. Ela ocorre em um momento em que a pesquisa Sondagem Industrial do Sistema FIERGS mostra que a taxa de juros elevada é o principal problema apontado pelos empresários neste primeiro trimestre de 2026, afetando o acesso ao crédito”, diz o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier.

Ainda assim, lembra Bier, é importante destacar que o movimento de redução nos juros não se sustenta de forma isolada. “Sem avanços consistentes na área fiscal e maior previsibilidade no ambiente econômico, o espaço para uma trajetória mais duradoura de redução dos juros permanece limitado”, afirma. O presidente do Sistema FIERGS acrescenta que o país precisa avançar nesse equilíbrio para criar um ambiente mais seguro, que permita à indústria crescer, gerar empregos e recuperar sua competitividade.

Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn tanto a inflação quanto as expectativas de inflação aumentaram de maneira significativa. Além disso, a guerra no Oriente Médio ainda imprime muita incerteza à dinâmica de preços relevantes na economia como petróleo, fertilizantes e metais. “Os dados sobre atividade, por sua vez, são dúbios, indicando desaceleração, mas não com a clareza suficiente para garantir que haverá uma despressurização da inflação. Nesse cenário, já era esperado um ciclo de redução da Selic mais raso, mais curto e muito mais frágil. O problema é que conviver com taxas de juros historicamente elevadas por tanto tempo passa a ter impactos extremamente danosos para a economia que passa ser asfixiada pelo alto custo do crédito. Cada vez fica mais urgente uma agenda endereçada ao ajuste das contas públicas a fim de propiciar uma redução estrutural dos juros. A política fiscal precisa, com urgência, fazer a sua parte”, diz o dirigente.

Já para Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e co-fundador da Forum Investimentos, a decisão veio em linha do esperado, e foi unânime. “Ficou claro que o comunicado trouxe um tom mais pessimista em relação ao cenário externo, pela persistência do conflito e seus desdobramentos sobre os preços de energia. Deram maior peso aos riscos do conflito, sem dúvidas. Na minha visão, veio em linha com o esperado, refletiu o cenário mais desafiador mas já sinalizou a possibilidade de cortes para a próxima reunião (o que não era uma certeza de que seria feito pelo mercado)”.

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