Setor do Turismo não está preparado para o envelhecimento populacional, aponta pesquisa

Foto: Crédito: Divulgação

Embora o Brasil envelheça em ritmo acelerado e o turismo se consolide como um dos setores especialmente impactados pela mudança demográfica, persiste um descompasso entre as demandas dos viajantes 60+ e a oferta de experiências adequadas a esse público. A pesquisa nacional inédita “Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60” – conduzida pela consultoria data8 em parceria com o Expo Fórum de Turismo 60+ e apoiada pelo Ministério do Turismo – revela que 74% dos brasileiros não sentem que as viagens são pensadas para a sua faixa etária. Realizada entre março e abril de 2026, a pesquisa ouviu 1.012 brasileiros 60+ nas cinco regiões do país e traz um retrato inédito sobre comportamentos, desejos, barreiras e percepções desse público em relação ao turismo.

O mapeamento indica que os maduros compõem um público com autonomia financeira relevante e participação ativa no consumo turístico. Cerca de 96% dos entrevistados arcam integralmente ou dividem as despesas das viagens com o cônjuge, sendo que 73% utilizam o parcelamento no cartão de crédito como principal forma de pagamento. Esse comportamento se reflete também no volume e na frequência de viagens: 34% gastam, no mínimo, R$ 10 mil por ano com turismo, enquanto 52% realizam ao menos três viagens anuais, sinalizando uma rotina consistente de deslocamentos a lazer.

As viagens do consumidor maduro ocorrem majoritariamente com companhias: 56% dos entrevistados viajam ao lado de cônjuges, mas entre os brasileiros com mais de 70 anos, 19% realizam viagens sozinhos. Há também diferenças de gênero nesse comportamento. Entre as mulheres, observa-se maior diversidade nas formas de viajar – 17% viajam sozinhas; 23%, com amigos; e 31%, com filhos ou netos. Já entre os homens, predomina o modelo de viagem a dois, com 75% viajando com seus parceiros.

“O envelhecimento da população não é uma tendência futura – é uma realidade já instalada, com impacto direto sobre o consumo dos brasileiros. No turismo, isso se traduz em um público com tempo, renda e disposição para viajar, mas que ainda encontra barreiras e se vê insatisfeito com a experiência oferecida. O setor precisa despertar para o enorme potencial dessa mudança demográfica – e não estamos falando somente de adaptar serviços, mas reconhecer o consumidor prateado como um vetor estratégico de crescimento e inovação para o setor”, afirma Adriana de Queiroz, sócia do data8 e uma das coordenadoras da pesquisa.

SELO

A pesquisa conduzida pelo data8 ofereceu subsídios para a criação do Selo Destino 60+ – uma certificação voltada ao setor de turismo e hospitalidade que reconhece empreendimentos preparados para atender, de forma qualificada e com excelência, o público maduro. A proposta parte do entendimento de que o turismo prateado representa uma das principais oportunidades de crescimento da indústria – diante do avanço da longevidade e do aumento da participação econômica da população 50+.

Orientado por especialistas em longevidade e da indústria do turismo, o selo avalia critérios relacionados à hospitalidade, à acessibilidade, ao entretenimento, à nutrição e a experiências adaptadas – considerando desde a infraestrutura física e a mobilidade até atendimento humanizado, programação cultural, atividades intergeracionais e serviços voltados ao bem-estar. “A iniciativa busca estimular uma nova lógica no turismo: mais inclusiva, segura e conectada às expectativas de uma geração que deseja continuar viajando, consumindo cultura e vivenciando experiências com autonomia e qualidade”, afirma Cléa Klouri, cofundadora do data8 e uma das idealizadoras da iniciativa.

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