Setembro Amarelo: 46,7 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais no RS

Foto: Créditos: Freepik

A saúde mental no ambiente de trabalho tem ganhado espaço nas discussões sobre qualidade de vida e prevenção ao adoecimento. No Rio Grande do Sul, 46,7 mil trabalhadores receberam benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais em 2025, um aumento de 19% em relação ao ano anterior. Durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a promoção do cuidado com a saúde mental, o cenário reforça a importância de discutir estresse, sobrecarga e formas de preservar o bem-estar emocional no trabalho.

Para a psicóloga Denise Milk, a gestão emocional pode ajudar o profissional a reconhecer seus limites e perceber mudanças no próprio estado emocional, mas esse cuidado precisa estar associado a condições adequadas de trabalho e ao suporte das empresas. “Saúde mental no trabalho envolve a capacidade de reconhecer emoções, perceber limites e fazer escolhas que favoreçam o bem-estar. As empresas também têm um papel fundamental na construção de relações profissionais mais saudáveis, com espaço para escuta, respeito e clareza de expectativas”, pontua Denise.

A gestão emocional pode contribuir para que o trabalhador reconheça sinais de estresse e desgaste antes que eles se intensifiquem. Identificar alterações de humor, sono, concentração e disposição pode ser importante para compreender quando é necessário reduzir o ritmo, conversar sobre as condições de trabalho ou buscar apoio.

“Cuidar da saúde emocional passa por reconhecer os próprios limites e compreender o que está acontecendo internamente. O descanso, a desconexão do trabalho e a busca por atividades que favoreçam a recuperação são importantes, mas não devem ser vistos como uma solução individual para problemas que também podem estar relacionados à organização do trabalho”, explica a psicóloga.

O diálogo com a liderança também pode ajudar na prevenção. Conversar sobre prioridades, prazos e volume de tarefas permite identificar possíveis situações de sobrecarga e buscar alternativas antes que elas comprometam a saúde do trabalhador.

“Falar sobre dificuldades, alinhar expectativas e sinalizar quando uma demanda está ultrapassando os limites possíveis são atitudes importantes para a construção de uma rotina mais saudável. Esse diálogo precisa acontecer em um ambiente em que o profissional se sinta seguro para falar e em que a liderança esteja aberta a avaliar as condições de trabalho”, orienta Denise.

5 atitudes que podem contribuir para a gestão emocional no trabalho

* Reconheça seus sinais: observe mudanças persistentes no humor, sono, concentração e disposição.
* Respeite os momentos de descanso: procure estabelecer períodos de desconexão das atividades profissionais.
* Organize prioridades: diante de muitas demandas, converse com a liderança sobre prazos e prioridades.
* Mantenha o diálogo: compartilhe dificuldades relacionadas à rotina de trabalho em ambientes que ofereçam espaço de escuta.
* Busque apoio: diante de sofrimento persistente ou intenso, procure ajuda de um profissional de saúde.

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