Os resultados da indústria de máquinas e equipamentos referentes a junho foram insuficientes para alterar o quadro de retração que marcou o primeiro semestre de 2026. O consumo aparente nacional avançou em relação a maio e atingiu R$ 33,9 bilhões, mas permaneceu 7% abaixo do registrado em junho de 2025. Com isso, os investimentos em máquinas e equipamentos acumularam queda de 13,8% no ano. Os dados foram divulgados pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos nesta quarta-feira, 29.
Na aquisição de máquinas produzidas localmente, a retração foi mais intensa. Em junho de 2026, a receita interna de vendas ficou 11,8% abaixo do resultado de junho de 2025. No primeiro semestre, a queda chegou a 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. A demanda doméstica continua enfraquecida, sobretudo nos segmentos mais dependentes do crédito e da atividade industrial.
A receita líquida de vendas alcançou R$ 24,2 bilhões em junho, com crescimento de 2% frente a maio, após o ajuste sazonal, mas ficou 10,7% abaixo do mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro semestre, o setor registrou queda de 13,6%, enquanto o resultado em 12 meses passou a recuar 6,4%, indicando que a desaceleração já ultrapassa o desempenho de curto prazo.
A análise por grupos setoriais mostra que a maior retração ocorreu nas atividades agrícolas. Em sentido oposto, os segmentos relacionados às obras de infraestrutura ajudaram a amortecer a queda do setor em 2026. O mercado doméstico continua sendo o principal fator de limitação ao crescimento. A receita interna caiu 17% no primeiro semestre e acumula retração de 9,1% em 12 meses. O resultado evidencia os efeitos da política monetária restritiva sobre o investimento produtivo. O elevado custo do capital reduz a viabilidade de novos projetos e adia decisões de substituição e modernização do parque industrial.
Exportações
O setor externo segue apresentando desempenho relativamente favorável. Em junho, as exportações cresceram 4,5% frente ao mês anterior e 3,4% na comparação com junho de 2025, alcançando US$ 1,08 bilhão. No primeiro semestre, a expansão chegou a 12,7%. Embora o ritmo tenha perdido força em relação ao início do segundo trimestre, o resultado acumulado permaneceu positivo.
Parte desse crescimento decorre da baixa base de comparação do primeiro trimestre de 2025, período marcado pela desaceleração da atividade norte-americana. Além disso, a expansão das exportações permanece concentrada nos segmentos de componentes e de máquinas destinadas à construção, à infraestrutura e à agricultura. As vendas externas de máquinas para bens de consumo e para extração de petróleo continuam abaixo dos níveis observados em 2025.
A valorização acumulada de aproximadamente 10,5% do real frente ao dólar, por sua vez, reduziu o impacto positivo das exportações sobre a receita do setor em moeda nacional. Assim, embora haja crescimento em dólares e no volume embarcado, o efeito sobre o faturamento em reais permanece limitado.
As importações voltaram a crescer em junho e alcançaram US$ 2,85 bilhões, com altas de 7,7% frente a maio e de 9,9% na comparação com junho de 2025. No primeiro semestre, o crescimento foi de 3,9%. Em volume, as importações também avançaram: 6,8% em junho, na comparação interanual, e 2,5% no acumulado do semestre.
A China permanece como principal responsável por esse movimento. As importações provenientes do país cresceram 15,9% no semestre, enquanto as compras originadas dos demais mercados recuaram 1,8%. O avanço concentrou-se em segmentos relevantes, como logística, construção civil, máquinas agrícolas e equipamentos destinados à indústria de transformação.
Produção
Os indicadores antecedentes apresentam sinais mistos. O nível de utilização da capacidade instalada recuou ligeiramente para 78%, praticamente o mesmo patamar de um ano antes. Embora relativamente elevado, esse nível ainda não tem sido suficiente para estimular novos investimentos em ampliação da capacidade produtiva.
A carteira de pedidos, por sua vez, aumentou para 9,7 semanas, 4,8% acima do nível de maio. O movimento foi impulsionado principalmente por atividades associadas à infraestrutura e à indústria de base, cujos projetos demandam mais tempo de maturação. Apesar da melhora mensal, a média do semestre permaneceu 1,8% abaixo da registrada em 2025.
No mercado de trabalho, houve alta marginal de 0,1% no emprego, com o setor atingindo 416,6 mil trabalhadores. A recuperação observada nos últimos dois meses, especialmente entre fabricantes voltados à indústria de transformação, à logística e à produção de componentes, sugere redução do ritmo de ajuste. Ainda assim, o setor emprega cerca de 3,8 mil trabalhadores a menos do que em junho de 2025, indicando que a estabilização ainda é gradual.

