Os preços da indústria brasileira avançaram 2,37% em março em relação a fevereiro (-0,16%), influenciados, em especial, pelo aumento nos preços da indústria extrativa. No mês, a indústria extrativa apresentou alta de 18,65%, a maior desde fevereiro de 2021, sendo responsável, sozinha, por 0,81 ponto percentual (p.p.) do resultado geral da indústria nacional.
Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação, divulgado nesta quarta-feira (29) pelo IBGE. A pesquisa mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.
Além das indústrias extrativas, outros segmentos que tiveram variação de preços destacadas em março foram outros produtos químicos (5,03%); refino de petróleo e biocombustíveis (4,24%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (2,50%).
Murilo Alvim, gerente do IPP, explica que os resultados da pesquisa de março carregam um impacto significativo do mercado externo, num contexto de pressão de oferta e demanda de bens.
“Essa alta pode ser explicada, em grande parte pelo contexto de maior instabilidade no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, cujos conflitos tiveram início no final de fevereiro, mas que se intensificaram durante o mês março e fizeram com que preços mais altos fossem observados em 18 dos 24 setores analisados na pesquisa.”
Com o resultado de março, o IPP acumulou 2,53% de alta no ano, acelerando em relação a fevereiro (0,15%), terceiro mês seguido em patamar positivo. No acumulado em 12 meses, os preços da indústria registram queda de 1,54%. Apesar de ainda estar em patamar negativo sob essa base de comparação, a variação é a menor em intensidade desde setembro de 2025, quando havia sido de -0,39%. Em fevereiro, o IPP acumulado em 12 meses foi de -4,39%.
DESTAQUE
O destaque para a alta dos preços das indústrias extrativas em março se justifica sob diferentes bases de comparação. Tanto no indicador mensal, quanto no acumulado do ano, o IPP das indústrias extrativas foi o de maior variação e de maior influência no resultado geral. Além disso, o setor também se destaca entre as principais variações e influências no acumulado em 12 meses.
“Essa alta foi puxada, principalmente, pelos maiores preços dos óleos brutos de petróleo, já que as tensões geopolíticas têm impactado a oferta global da commodity, que também está com seu escoamento dificultado pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz”, analisou o gerente da pesquisa.
Além dos óleos brutos de petróleo, outro produto de peso significativo no setor, “minério de ferro e seus concentrados”, também impactaram na alta mensal do índice, avanço que também está em linha com o mercado internacional. Da indústria extrativa, em março, apenas o gás natural liquefeito ou no estado gasoso teve queda de preços.
“Seguindo a cadeia do petróleo, outras atividades aparecem como destaque no mês. Uma delas é a de refino de petróleo e biocombustíveis, que avançou 4,24% em março e esta é a maior alta desde setembro de 2023. Esse resultado foi influenciado sobretudo pelos maiores preços do diesel e dos óleos combustíveis. Por outro lado, uma menor demanda pelo álcool conseguiu segurar um pouco o resultado do setor”, comentou Alvim.
Outro setor que foi destaque pelo avanço em março foi o de alimentos, que registrou alta após 10 resultados negativos consecutivos. O crescimento de 1,90% em março foi também o mais significativo desde novembro de 2024 (2,18%). Os resultados de março, segundo o gerente da pesquisa, foram impactos, principalmente, pelos preços da produção pecuária.
“Essa variação foi puxada principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico teve um aumento de 9,66% no mês em um cenário de menor oferta de leita in natura no mercado, combinado com um custo de produção que vem se mantendo em patamares elevados. Além dos laticínios, vale mencionar os preços das carnes e dos açúcares”
Pela perspectiva das grandes categorias econômicas, o IPP mensal de março registrou avanço nos bens intermediários (3,75%) e nos bens de consumo (0,95%), além da queda nos bens de capital (-0,18%). A alta nos bens de consumo é explicada pelo avanço de 1,19% nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis, enquanto os bens de consumo duráveis registraram queda de 0,24% no mês.
A principal influência dentre as Grandes Categorias Econômicas foi exercida por bens intermediários, que respondeu por 2,02 p.p. do IPP de março (2,37%). Completam a lista bens de consumo, com influência de 0,37 p.p., e bens de capital, com -0,01 p.p.. No caso de bens de consumo, a influência observada em março se divide em -0,02 p.p., que se deveu à variação nos preços de bens de consumo duráveis, e 0,38 p.p. associada à variação de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

