No 4º mês seguido de endividamento recorde, CNC destaca programas de renegociação

Foto: Créditos: Foto: Marcello Casal Jr./ABr

O volume de consumidores brasileiros com dívidas a vencer atingiu uma nova máxima histórica em abril, pelo 4º mês seguido, alcançando 80,9% das famílias. O dado, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), revela mais um avanço em sequência, superando o antigo recorde de 80,4%, registrado em março, e uma alta expressiva frente aos 77,6% observados em abril de 2025.

O novo recorde da série histórica ocorre em um momento de mobilização e atenção do setor público em relação ao tema, com a articulação do programa Desenrola 2.0. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os indicadores da Peic reafirmam a importância do debate sobre o custo do crédito para os diferentes setores da sociedade. “É preciso garantir que os mecanismos de renegociação evitem que este endividamento aprofunde ainda mais a crise de liquidez das famílias.”

DINÂMICA

Apesar do aumento do número de endividados, a inadimplência apresentou relativa estabilidade na margem. O percentual de famílias com contas em atraso variou para 29,7% em abril, mantendo-se, contudo, acima do patamar de 29,1% registrado no mesmo período do ano anterior. Já o índice de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo, após elevação pontual em fevereiro.

O cartão de crédito, com os maiores juros da economia brasileira, segue como a principal modalidade de dívida, exercendo o maior impacto no orçamento, seguido pelos carnês de loja e pelo crédito pessoal. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,5%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira.

FAIXA DE RENDA

O endividamento cresceu em todas as faixas salariais, mas a pressão sobre o orçamento é mais nítida nas camadas de menor renda.

– As famílias que ganham até três salários mínimos registram o maior nível de endividamento (83,6%) e o maior índice de contas em atraso (38,2%).

– No grupo com renda entre três e cinco salários mínimos, o endividamento está em 82,8%, mas houve um alívio na inadimplência, que recuou para 28,0% em abril.

– Já entre as famílias com ganhos entre cinco e dez salários mínimos, o endividamento alcança 80,1%, com 22,7% de inadimplência.

– Por fim, o grupo com renda superior a dez salários mínimos apresenta os menores índices, com 70,8% de endividados e apenas 15,0% de inadimplência, mantendo o maior recuo anual nesse indicador.

As projeções da pesquisa apontam  continuação da elevação do endividamento no próximo mês, condicionada à evolução da renda e ao comportamento da inflação em itens essenciais como energia e combustíveis. O cenário sugere uma dinâmica financeira equilibrada no curto prazo, reforçando o papel técnico da Peic como bússola para políticas de crédito e consumo.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, ressalta a relevância da alta taxa de juros Selic nesta equação. No começo do ano, antes dos conflitos e dos novos recordes de endividamento, a ideia do Banco Central era reduzi-la. Neste momento, porém, a tendência é de estabilidade, e Bentes pontua: “O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil. A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo”.

PREÇOS

A cesta completa de bens e de serviços típicos da data, composta por oito itens, deve registrar reajuste médio de 6,2%, ficando acima da inflação pelo terceiro ano consecutivo. O principal impulsionador desta alta é o chocolate, presente símbolo da data, com aumento esperado de 14,9% mesmo nos rótulos nacionais. Esse movimento é reflexo direto da valorização do cacau no mercado internacional, que impediu desaceleração maior dos preços ao consumidor final. Outros itens com altas expressivas incluem o bacalhau (+7,7%) e a alimentação fora do domicílio (+6,9%).

“A queda de 11% na taxa de câmbio no ano contra ano não foi suficiente para amenizar os preços dos importados, tamanho o encarecimento dos insumos para os produtores desses produtos. Ainda assim, percebemos que o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração do nível geral de preços deverão garantir o avanço nas vendas neste ano, alçando o volume de receitas ao maior patamar desde o início da pesquisa, uma vez que esses produtos são menos dependentes das condições de crédito”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

A alta acentuada dos preços internacionais — com o chocolate subindo 37% e o bacalhau aumentando 19% no exterior — desestimula as importações. Como consequência, as encomendas desses produtos no mercado externo caíram 27% e 22%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

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