A primeira edição do tradicional MenuPOA, promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), na nova gestão presidida pelo empresário José Paulo Soares Martins abordou o tema: “Saúde mental dos trabalhadores e o impacto da NR-1 nas empresas”. O encontro contou com a participação do presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias; da consultora, educadora corporativa e psicóloga organizacional Angelita Garcia, e da advogada trabalhista empresarial Carla Wedy. O evento contou com a mediação do diretor da ACPA, Luis Fernando Schilling.
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que determina que todas as empresas devem realizar ações de prevenção de fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, entra em vigor a partir do dia 26 de maio. A norma, que existe desde 1978, está pela primeira vez sendo implementada como uma obrigatoriedade para as empresas. Especialistas destacam que é necessário que as organizações se preparem para uma mudança de cultura em um período que pode ser desafiador na adaptação, mas que irá gerar um resultado positivo para o ambiente de trabalho.
“O trabalho também é um local de fonte de estresse. Isso vai depender do ambiente, do tipo de trabalho executado, dos riscos envolvidos na sua profissão, na segurança que tem para executar as suas próprias funções. Portanto, a gente tem uma relação bilateral que pode ser certamente positiva, mas em vários aspectos é problemática”, explicou o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias. Ele lembra que a saúde mental é o principal fator de filas no sistema de saúde, e que o sindicato trabalha na manutenção dos serviços psiquiátricos abertos. No interior do Estado, ressalta, a realidade é mais preocupante, com cidades que não dispõem de psiquiatras.
COMPREENSÃO
Angelita Garcia pontuou que, entre as empresas, o momento é de tensão, considerando que há muita desinformação sobre o assunto. “Isso está prejudicando muito a compreensão do trabalhador sobre a NR-1. E cada setor está defendendo um ponto de vista diferente do outro, quando na verdade, a NR-1 deve convergir para um propósito único, que é o fator humano”, destacou. A mudança, para a profissional, envolve um “choque de cultura de convívio e de relacionamento dentro das empresas”. E, como todas as mudanças, terá o seu período de amadurecimento. Para Angelita, a implementação da norma irá resolver os indicadores que mais afetam o trabalho, como o turnover (rotatividade de pessoal), o absenteísmo, a desídia (falta de produtividade) e o atestado médico, considerando que são resultado de uma sobrecarga de fatores psicossociais, e que serão mapeados obrigatoriamente a partir da norma.
A advogada trabalhista empresarial ressaltou que as empresas deverão seguir o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que irá materializar o gerenciamento de riscos ocupacionais. Nesse documento, deverá ter a avaliação dos riscos e o plano de ação. A empresa deverá contratar uma pessoa capacitada para fazer a avaliação desses riscos e, após, terá que implementar um plano de ação, não apenas prever os riscos. Essa é a principal mudança da NR-1. “Pelo menos em termos de organização, nunca se teve a preocupação da prevenção. Ela nunca fez parte de maneira sistemática e cultural do cuidado com o meio ambiente laboral. A NR-1 traz exatamente isso, o princípio da prevenção”, destaca.

