Indicador de falta de produto chega a 10,9% em agosto, diz Neogrid

Foto: Créditos: divulgação

O Índice de Ruptura da Neogrid, indicador que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, registrou 10,9% em agosto de 2026. O número representa estabilidade, com uma leve diferença de 0,1 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior, quando marcou 10,8%. Nesse mesmo período, as vendas gerais registraram um crescimento de 2,4%, enquanto o estoque médio permaneceu praticamente estável, com uma ligeira redução de 0,7%.

O cenário de agosto reflete um varejo que tenta equilibrar estoques diante de um consumo que ainda se mostra sensível. Segundo dados recentes do FGV IBRE, o Índice de Confiança do Comércio caiu 1,3 ponto, demonstrando cautela dos empresários na reposição massiva.

Para Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, é exatamente essa variação interna que dita o tom do mês.  “A ruptura se mantém estável no índice geral, mas o cenário é bastante dinâmico quando olhamos para cada categoria, evidenciando que o desafio do varejo hoje está menos em uma falta generalizada e mais na gestão da cadeia de abastecimento ao considerar as particularidades de cada produto, os níveis de estoque e o comportamento da demanda”, explica o executivo.

Ruptura das categorias que mais se destacaram em agosto de 2026 no Brasil:

  • Ovos: de 22,4% para 29,5% (+7,1 p.p.);
  • Água Mineral: de 9,8% para 12,3% (+2,5 p.p.);
  • Açúcar: de 8,5% para 9,9% (+1,4 p.p.);
  • Arroz: de 9,5% para 10,2% (+0,7 p.p.);
  • Café em pó e em grãos: de 7,4% para 7,7% (+0,3 p.p.);
  • Leite UHT: de 11,4% para 10,1% (-1,3 p.p.).

Ovos de aves

A categoria de ovos foi a que apresentou o maior salto de indisponibilidade em agosto, escalando 7,1 p.p. – de 22,4% para 29,5%. A ausência da proteína nas gôndolas chama a atenção diante da forte oferta no campo: dados do IBGE apontam para uma produção nacional recorde de mais de 1,25 bilhão de dúzias no segundo trimestre de 2026, enquanto a ABPA projeta um volume anual de 64,8 bilhões de unidades. Observando a precificação, o ritmo de queda persistiu pelo segundo mês consecutivo, com o valor médio da embalagem com seis unidades caindo de R$ 6,80 em julho para R$ 6,72 em agosto. Nas embalagens maiores, a dúzia reduziu de R$ 11,31 para R$ 11,01 e as bandejas com 30 ovos baixaram de R$ 19,83 para R$ 19,65 no mesmo intervalo. A única exceção ficou por conta das cartelas com 20 unidades, que apresentaram estabilidade, variando de R$ 15,05 para R$ 15,07.

Água mineral

O índice de falta da água mineral nas prateleiras aumentou 2,5 p.p., passando de 9,8% para 12,3%. Acompanhando esse avanço, os preços médios registraram alta em todas as versões monitoradas. A embalagem de água mineral sem gás encareceu de R$ 2,99 em julho para R$ 3,02 em agosto, enquanto a versão com gás subiu de R$ 4,15 para R$ 4,23 no mesmo intervalo.

Açúcar

O açúcar apresentou uma elevação de 1,4 p.p. no indicador, com a ruptura subindo de 8,5% em julho para 9,9% em agosto. Por outro lado, a categoria continuou trazendo alívio financeiro ao consumidor, estendendo a trajetória de queda nos preços iniciada em maio. O valor médio do quilo do açúcar cristal diminuiu de R$ 3,63 para R$ 3,59, enquanto o tipo refinado recuou de R$ 4,03 para R$ 3,97.

Arroz 

A indisponibilidade do arroz registrou elevação de 0,7 p.p. em agosto, passando de 9,5% em julho para 10,2%. O movimento de alta na ruptura veio acompanhado do encarecimento nos valores praticados nas gôndolas. O quilo do arroz branco saiu de R$ 4,80 para R$ 4,91, ao passo que o arroz parboilizado reajustou de R$ 4,64 para R$ 4,76 no comparativo mensal.

Café em pó e em grãos 

A ruptura do café apresentou uma oscilação contida no mês, subindo 0,3 p.p. – de 7,4% em julho para 7,7% em agosto. No aspecto financeiro, os preços sustentaram a curva descendente observada desde maio. O quilo do café em pó encolheu de R$ 68,48 em julho para R$ 67,97 em agosto, enquanto a versão em grãos teve redução de R$ 127,02 para R$ 125,00.

Leite UHT 

Na contramão das demais categorias analisadas, o leite UHT foi o único item básico a apresentar recuo na falta de produtos, com a ruptura caindo 1,3 p.p. – de 11,4% em julho para 10,1% em agosto. Contudo, a maior presença do produto nas gôndolas não se converteu em alívio no bolso: a categoria preservou a trajetória ascendente de preços registrada desde junho. O leite integral passou de R$ 6,20 para R$ 6,39, o semidesnatado migrou de R$ 6,42 para R$ 6,56 e o desnatado evoluiu de R$ 6,25 para R$ 6,48.

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