Em meio à tentativa do governo federal em conter o endividamento das famílias, o Brasil registrou alta na taxa de inadimplência em todas as regiões, chegando a 4,1% no ano passado. O índice, que indica alta de 1,2 ponto percentual comparado com 2024, foi influenciado pelas “mudanças normativas e pelo maior volume de atrasos”, sobretudo no crédito rural, apontam dados do Banco Central. Desde 2020, o índice de pessoas endividadas vem crescendo no Brasil, saltando de 1,9% para 4,1% em seis anos.
Já a inadimplência do crédito a pessoas jurídicas aumentou 1,3 ponto percentual, maior aumento entre as regiões, e a do crédito a pessoas físicas, 2,1 p.p., alavancada pelo crédito rural. A autoridade monetária aponta que, em 2025, o cenário do crédito bancário foi “caracterizado pelo aumento de juros e pela perda de dinamismo das concessões”. Em contrapartida, as operações de crédito diminuíram em todas as regiões, principalmente aquelas com maior participação do crédito rural.
Recentemente, para conter o recorde de endividamentos, o governo criou uma nova fase do Desenrola, incentivo para que devedores quitem débitos, além de contar com a liberação de até 20% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Segundo uma pesquisa divulgada pela autoridade monetária, a inadimplência do crédito a pessoas jurídicas aumentou 1,3 p.p., maior aumento entre as regiões, e a do crédito a pessoas físicas, 2,1 p.p., alavancada pelo crédito rural.

Enquanto isso, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, um ritmo menor quando comparado com os anos anteriores. A indústria perdeu ritmo em relação ao ano anterior, com queda na transformação e em “eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos”, além de registrar desaceleração na construção. O setor de serviços também cresceu menos, com exceção de transportes e informação. Já a agropecuária teve forte alta em 2025, impulsionada pela produção de grãos, sobretudo soja e milho.
Recorde de famílias endividadas
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, levantamento feito mensalmente pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas. Esse é o maior índice da série histórica feita pela entidade. A pesquisa mais recente divulgada pela confederação é referente a março. Naquele mês, o índice de inadimplência no país foi de 29,6%, abaixo do recorde de 30,5% alcançado em setembro e em outubro de 2025.
O programa de renegociação de dívidas foi criado pelo governo federal em 2023 para recuperar condições de crédito. A iniciativa visou oferecer alternativas para quitar débitos, permitindo a retomada de poder de compra da população. O foco foram as pessoas que ganham até dois salários mínimos ou que estão no CadÚnico. A primeira fase do Desenrola ocorreu entre julho de 2023 a maio de 2024, beneficiando cerca de 15 milhões de pessoas com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas. Além disso, segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa reduziu em 8,7% o índice de inadimplência entre a população mais vulnerável do país.
(*) com R7

