Importação de máquinas e equipamentos cresce 10,7% e cria oportunidades para empresas

Foto: Crédito: Abicalçados

As empresas brasileiras estão ampliando as compras no exterior. Entre janeiro e setembro de 2026, as importações somaram US$ 222,26 bilhões, crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Um dos destaques foi o aumento de 10,7% no volume importado de bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos utilizados na produção. Os números apontam para uma oportunidade que vai além da compra de produtos mais baratos: utilizar a importação como estratégia para ganhar produtividade, diversificar fornecedores e aumentar a competitividade.

Para Maria Tereza da Costa, diretora administrativa da MTC, empresa especializada em terceirização em comércio exterior, ainda há empresários que deixam de avaliar o mercado internacional por desconhecerem as possibilidades de importação. “Uma empresa não deveria depender exclusivamente de fornecedores brasileiros. Buscar alternativas no exterior é também uma forma de diluir riscos e não ficar refém das condições da economia nacional”, afirma.

As oportunidades abrangem diferentes segmentos, desde a aquisição de máquinas, equipamentos e peças até produtos químicos, resinas petroquímicas, fertilizantes e produtos acabados. A especialista destaca que, diante das dificuldades de contratação e dos custos com mão de obra, algumas indústrias também podem encontrar vantagens em terceirizar parte da produção no exterior.

“Nem sempre a melhor decisão é produzir tudo dentro da própria empresa. Dependendo dos custos envolvidos, pode ser mais vantajoso contratar a fabricação no exterior. O empresário precisa fazer essa conta antes de decidir”, explica Maria Tereza.

A estratégia também está ao alcance de pequenas e médias empresas. Segundo a especialista, não existe uma quantidade mínima universal que torne a importação viável. O que determina a vantagem é a análise dos custos totais, das exigências legais e das necessidades de cada negócio. Mas importar sem planejamento pode transformar uma oportunidade em prejuízo. Entre os erros mais comuns estão negociar com fornecedores sem verificar sua idoneidade, desconhecer exigências aduaneiras, contratar operações acima do limite autorizado e não avaliar adequadamente o seguro do transporte internacional. Essas falhas podem resultar em mercadorias retidas, custos inesperados e até fraudes.

“Antes de fechar uma compra, é preciso saber quem está vendendo, quais são as exigências para trazer a mercadoria e quanto ela realmente vai custar até chegar à empresa. Uma importação mal planejada pode comprometer toda a economia que o empresário imaginava fazer”, alerta. Para Maria Tereza, a principal mudança está na forma como o empresário enxerga o comércio exterior. “Importar não deve ser uma decisão baseada apenas no preço. É uma estratégia para ter mais opções de fornecimento, reduzir riscos e criar condições para a empresa crescer”, conclui.

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