Guerra definirá rumo dos juros nos EUA

Foto: Crédito: Getty Images/Blend Images

Os Estados Unidos iniciam a agenda de dados internos nesta terça-feira, 28, com a divulgação do índice de Confiança do Consumidor. Na quarta-feira (29), às 15h, o Banco Central norte-americano anuncia sua decisão de política monetária. Já na quinta-feira (30), às 9h30, serão divulgados simultaneamente os dados de gastos pessoais, rendimento pessoal, deflator do PCE, Produto Interno Bruto (PIB) e os pedidos semanais de auxílio-desemprego.

A expectativa majoritária do mercado para a taxa de juros nos EUA é de manutenção entre 3,50% e 3,75%. A ata da reunião de junho mostrou que alguns integrantes do Fomc já enxergavam argumentos para uma alta, diante da inflação acima da meta, da atividade resiliente e dos riscos relacionados ao petróleo, às tarifas e aos investimentos em inteligência artificial. Mesmo assim, esses dirigentes apoiaram a manutenção para observar novos dados.

O CPI de junho reduziu a urgência de uma elevação. O índice cheio caiu 0,4% no mês, enquanto o núcleo ficou estável. Em 12 meses, as taxas recuaram para 3,5% e 2,6%, respectivamente. O presidente do Fed, Kevin Warsh, reconheceu a melhora, mas rejeitou uma leitura de “missão cumprida”. Em seu primeiro depoimento semestral ao Congresso como presidente do Fed, afirmou que a inflação permanece acima da meta de 2% e que um único dado não comprova uma mudança definitiva da tendência.

Conforme o analista Leandro Manzoni, da InfoEconomics, o Fed também se sente confortável para manter o foco na inflação porque o mercado de trabalho continua estável. O desemprego permanece relativamente baixo, as demissões são limitadas e o crescimento dos salários ainda é sólido. A leitura da InfoEconomics é que o Fomc continuará utilizando continuará utilizando a possibilidade de uma alta como instrumento de comunicação. “Ao manter essa ameaça, o banco central pode pressionar os Treasuries, o dólar, o crédito e os preços dos ativos, produzindo um aperto das condições financeiras sem elevar efetivamente os juros”, comenta Manzoni.

Essa estratégia depende, porém, da trajetória do petróleo. O retorno consistente do petróleo Brent para acima de US$ 90, acompanhado de novos repasses para bens, serviços e expectativas, aumentaria a probabilidade de a alta deixar de ser apenas uma possibilidade retórica.

PRINCIPAIS INDICADORES

O Fed tomará sua decisão antes de conhecer dois dos principais indicadores da semana. Na quinta-feira, o Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgará o PCE de junho, índice de inflação preferido pelo banco central americano, e a primeira estimativa do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre. O PCE mostrará principalmente a dinâmica anterior à fase mais intensa da nova escalada no Oriente Médio. Por isso, será útil para avaliar a inflação subjacente, mas não medirá integralmente o impacto da forte alta do Brent nas últimas semanas.

A atenção estará concentrada no núcleo, nos serviços e na difusão das altas. Uma nova leitura moderada reforçaria a pausa hawkish. Uma surpresa elevada, especialmente nos serviços, colocaria a reunião de setembro no centro do debate sobre uma possível alta dos juros. O PIB ajudará a determinar quanto espaço o Fed possui para priorizar a inflação. Além do crescimento cheio, será importante observar o consumo, o investimento empresarial e os gastos ligados à inteligência artificial.

Warsh destacou recentemente que os investimentos em equipamentos cresceram cerca de 8% nos quatro trimestres encerrados no primeiro trimestre, enquanto os de alta tecnologia avançaram perto de 25%. Na sexta-feira, o Índice do Custo do Emprego completará essa leitura. O indicador mostrará se salários e benefícios continuam pressionando os serviços, apesar da moderação das contratações.

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