Fiergs projeta crescimento de 2,9% no PIB gaúcho graças ao agronegócio

Foto: Crédito: Dudu Leal/Divulgação

O Rio Grande do Sul deve encerrar o ano com crescimento de 1,6% no Produto Interno Bruto (PIB), resultado abaixo da projeção para o Brasil, estimada em alta de 2,1%. A expectativa foi apresentada nesta terça-feira, 9, pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), durante balanço de final de ano da federação. Para 2026, a expectativa é de uma retomada mais robusta da economia estadual, com avanço estimado de 2,9% no PIB, superior à expectativa de 1,9% para o Brasil. O desempenho deverá ser impulsionado sobretudo pela agropecuária, que pode registrar forte recuperação e crescer 17,6%. A indústria, por sua vez, deve apresentar expansão modesta, da ordem de 0,8%. O setor de serviços também tende a acompanhar o movimento de crescimento, embora em magnitude menor (1,7%) que a agropecuária.

Este cenário ocorre em meio ao ambiente conturbado nas relações internacionais, marcado pelas taxações dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros – que afetam especialmente os gaúchos –, da dificuldade da indústria de ganhar tração e da retração de 4,7% no PIB da agropecuária, fortemente impactada pela estiagem. A perspectiva da Unidade de Estudos Econômicos é de crescimento de 2% para o PIB industrial em 2025. Na indústria, a perda de dinamismo ficou evidente a partir do segundo trimestre de 2025. Após sinais de reação no fim de 2024, a atividade voltou a enfraquecer, pressionada pelos juros elevados, pelas incertezas fiscais, pelos gargalos logísticos remanescentes das enchentes, por problemas sanitários e, sobretudo, pelos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Entre agosto e novembro, as exportações industriais gaúchas para o mercado americano recuaram fortemente, resultando em perda de US$ 252 milhões ante o mesmo período de 2024. Mantidas as condições atuais, projeta-se que a Indústria de Transformação do RS exporte cerca de US$ 1,1 bilhão aos EUA em 2026, ante aproximadamente US$ 2 bilhões em um cenário sem tarifas, uma perda estimada de cerca de US$ 900 milhões. “As expectativas para o próximo ano são de uma boa safra. O Rio Grande do Sul deve crescer mais do que o Brasil, impulsionado pelo agronegócio. Já a indústria deve apresentar crescimento menor devido aos juros elevados e às tarifas americanas, que nos impactam significativamente”, afirmou o economista-chefe da UEE, Giovani Baggio.

SISTEMAS

O Sistema FIERGS encerra 2025 com avanços nos atendimentos à indústria e na oferta de educação e saúde aos trabalhadores. Ao todo, quase 11 mil empresas foram atendidas, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Um dos focos da gestão de Claudio Bier, as indústrias de pequeno e médio porte tiveram destaque, com serviços prestados cobrindo 63% do segmento. Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa nesta terça-feira (9), na sede da entidade, em Porto Alegre, ocasião em que também foram divulgadas as projeções econômicas para 2025 e as perspectivas para 2026 pela Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da Federação.

“Este foi um ano de consolidação do nosso projeto FIERGS do Futuro, que guiou nossas ações com foco em gestão integrada, resultados e valorização do interior gaúcho. Importante destacar que esses resultados foram alcançados com praticamente a mesma receita e uma significativa redução de despesas. Fizemos muito mais com menos”, afirmou o presidente Claudio Bier.

Como exemplo prático do investimento em prol da indústria, Bier ressaltou o aumento significativo do número de contratações de fornecedores do RS para o Sistema FIERGS – 88% dos valores contratados foram de empresas do Rio Grande do Sul – e investimentos em unidades de Sesi-RS e Senai-RS. “Essas entregas são fruto de um novo modelo pioneiro de gestão que implantamos em 2025. Um modelo integrado, ágil e focado em resultados, organizado em 10 regiões geográficas. O ano de 2025 foi de escuta e iniciativas importantes, vimos que a força da indústria gaúcha está na sua diversidade e capilaridade”, disse.

Foram anunciados R$ 419 milhões em investimentos até 2027 em unidades do Sesi e do Senai no estado. Estão previstas a inauguração de duas novas escolas de Ensino Médio, em Novo Hamburgo e Santa Cruz do Sul, além da ampliação da unidade do Senai em Horizontina em 2026. O Rota FIERGS terá continuidade, com novas entregas e a identificação de outras demandas regionais. Em ano de eleição geral, o Sistema FIERGS seguirá atuante. “Vamos apresentar uma agenda propositiva aos candidatos nas eleições, garantindo que o desenvolvimento industrial esteja no centro do debate. É nossa forma de fortalecer a democracia e cobrar atitudes e ação dos governantes”, concluiu Bier.

 

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