Caso a proposta de redução da jornada de trabalho seja implantada no Brasil, o custo para empresas e sociedade devem ser expressivos, mais que duplicando a inflação oficial brasileira que passaria para a casa dos dois dígitos. A expectativa foi apresentada pelo economista Oscar Frank, da CDL Porto Alegre, durante o Menu POA da Associação Comercial de Porto Alegre sobre a redução da jornada de trabalho realizado nesta terça-feira, 9.
Segundo ele, do ponto de vista do emprego, foi utilizado o modelo implantado em Portugal que é muito próximo da proposta que está tramitando aqui no Brasil. Aplicando esse mesmo fator para o Rio Grande do Sul, a perspectiva é de uma perda de 43 mil empregos formais, um aumento de 0,7 ponto percentual da taxa de desocupação.
Como se não bastasse isso, do ponto de vista de Produto Interno Bruto (PIB), de aproximadamente R$ 30 bilhões para o estado, representará em torno de 4,2% a menos na arrecadação deste indicador. “E, considerando uma inflação brasileira como um todo, se houver um repasse integral para a ponta final, para as famílias, esperamos um aumento de 4,6 pontos percentuais sobre o IPCA oficial” diz.
Frank lembra que, considerando uma inflação oficial em torno de 4%, o indicador poderia saltar para 8,6%, no caso de uma redução para 40 horas. “Se for 36 horas, aí o impacto é bem maior, algo próximo a 10 pontos percentuais”, diz ele.
O evento na ACPA contou também com a participação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seccional Rio Grande do Sul (Abrasel), Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (SINDHA), Sindicato de Hoteis de Porto Alegre (SHPOA) e SINDILOJAS – Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre.

