O Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 0,3% na atividade econômica no segundo trimestre em comparação ao primeiro. Em junho, na comparação com maio, a retração foi de 1,1%. Esses resultados foram obtidos na série com ajuste sazonal. Na comparação interanual, o crescimento foi de 1,7% no segundo trimestre e 1,9% em junho. A taxa acumulada em 12 meses até o segundo trimestre foi de 1,8%. Em termos monetários, o PIB no primeiro semestre de 2026, em valores correntes, deve ter registrado R$ 6,557 trilhões.
“O crescimento de 0,3% da economia no 2º trimestre mostra desaceleração da atividade econômica em relação ao forte de desempenho de 1,0% registrado no 1º trimestre do ano. Essa dinâmica também foi observada nas três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços) e na maior parte dos componentes da demanda. Apenas o consumo não desacelerou no trimestre, matendo o ritmo de crescimento do início do ano. Essa manutenção do crescimento do consumo deveu-se, principalmente ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis, que foi influenciado pelo aumento das importações de automóveis no trimestre. Apesar da desaceleração da economia no 2º trimestre, cabe ressaltar que este é o 20º resultado consecutivo de taxas positivas da atividade. Isso demonstra que, embora a taxa possa ser baixa, a economia segue com resultados positivos em meio ao contexto externo e interno que tem se mostrado desafiador com a elevação do preço do barril do petróleo, juros em patamares elevados e alto endividamento da população.”, segundo Juliana Trece, coordenadora da pesquisa.
Análise desagregada dos componentes da demanda
A análise gráfica dos componentes da demanda foi realizada na série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente, permitindo melhor compreensão da trajetória. O consumo das famílias permaneceu em trajetória de crescimento no segundo trimestre. Todos os componentes do consumo registraram crescimento no período embora em magnitude inferior à observada nos trimestres móveis anteriores. As principais contribuições foram o consumo de bens duráveis e de serviços.
No segundo trimestre, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrou crescimento, embora a tendência de aceleração observada nos últimos trimestres móveis tenha sido interrompida. O segmento de máquinas e equipamentos, que havia contribuído positivamente nos trimestres móveis findos em abril e maio, voltou a apresentar queda, contribuindo para a moderação do crescimento da FBCF. Apesar disso, os segmentos de construção e outros da FBCF aumentaram suas taxas de crescimento no trimestre.
Apesar do crescimento, houve desaceleração das exportações em comparação com o forte crescimento observado desde meados de 2025. As exportações de serviços, produtos agropecuários e bens intermediários foram os principais destaques positivos. O único componente a apresentar queda nesse trimestre foi o de exportações da extrativa mineral, que registrava crescimento desde o segundo trimestre de 2025.
O crescimento das importações foi impulsionado principalmente pelas importações de serviços, cuja contribuição positiva tem aumentado, e pelas importações de bens de consumo, que cresce à dez trimestres móveis consecutivos. Por outro lado, a importação de bens intermediários e da extrativa mineral apresentaram desempenho negativo nesse trimestre, contribuindo para a atenuação do crescimento das importações totais.

