Braskem registra caixa operacional negativo de R$ 175 milhões

Foto: Crédito: Divulgação/Braskem

A Braskem, petroquímica global que desenvolve soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, registrou no segundo trimestre do ano um EBITDA Recorrente de US$ 74 milhões (R$ 427 milhões), 67% inferior ao do 1T25. O resultado foi impactado por aspectos como a redução dos spreads de PE e PVC no mercado internacional e o efeito estoque nos segmentos em função de matérias-primas adquiridas em períodos anteriores, quando os preços estavam mais elevados.

No 2T25, a geração de caixa operacional da companhia foi negativa em R$ 175 milhões, o que representou uma redução do consumo em R$ 761 milhões em relação ao 1T25. E isso aconteceu pela menor variação de capital de giro, sendo explicada, principalmente, pelos menores custos de produto acabado e de matéria prima e pelos esforços da companhia para otimizar os níveis de estoques no trimestre. “Os resultados evidenciam a necessidade de continuarmos focados na resiliência e higidez financeira, além de implementarmos iniciativas táticas que mitiguem os impactos do momento da indústria química no Brasil e de ações que ajudem a perpetuar o nosso negócio”, afirma Roberto Ramos, CEO da Braskem.

Outro aspecto do período foi o consumo recorrente de caixa menor em relação ao 1T25, o que totalizou R$ 1 bilhão no 2T25, em função dos menores pagamentos semestrais de juros dos títulos de dívida emitidos no mercado internacional pela companhia, que se concentram no 1º e 3º trimestres do ano. A Braskem registrou também prejuízo líquido de US$ 45 milhões (R$ 267 milhões) e o saldo da dívida bruta corporativa de US$ 8,5 bilhões (R$ 49 bilhões), estando em linha com o trimestre anterior. Além disso, a posição de caixa ficou em US$ 1,7 bilhão (R$ 10 bilhões), o que seria suficiente para cobrir os vencimentos de dívida da companhia pelos próximos 30 meses.

Com relação ao panorama do setor, a indústria química brasileira apresentou o nível de ociosidade de 38% durante o primeiro trimestre de 2025, este é pior patamar dos últimos 30 anos de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). “O segundo trimestre foi muito desafiador. A indústria química é um setor estratégico e essencial para a economia brasileira, mas atualmente opera com o maior nível de ociosidade da história, sendo desafiada pela sua estrutura de custos e pela crescente competição global”, ressalta o CEO.

MERCADO

Os spreads de PE e de químicos no mercado da América do Sul, no 1T25, foram superiores quando comparados aos do trimestre anterior. E isso em função, principalmente, da menor oferta no mercado norte-americano e da volatilidade nos custos das matérias-primas no mercado internacional.  No Brasil, o spread de PP foi 17% maior em relação ao do 1T25, algo impulsionado principalmente pela redução dos preços da nafta – relacionada ao menor preço do petróleo. E isso pode ser explicado pela instabilidade do cenário geopolítico e pelo aumento da oferta global em função da retomada gradual dos níveis de produção. Outro destaque do período foi o aumento de 5% no spread dos químicos, em relação ao último trimestre, em função do menor preço da nafta (-14%), o que compensou a redução do preço dos principais químicos.

O spread de PP, nos EUA, permaneceu em linha quando comparado ao do 1T25, já o da Europa aumentou 7% durante o período. No México, houve a redução de 12% no spread de PE, devido ao menor preço do produto nos EUA, o que pode ser explicado pela menor demanda em função das incertezas sobre as tarifas de importação. O 2T25 registrou ainda um maior volume de vendas da resina I’m Green bio-based (+26%), em relação ao 1T25, em função, principalmente, da maior demanda de novos clientes e dos já existentes.

O cenário global no semestre foi marcado por tensões comerciais entre Estados Unidos e China e por incertezas tarifárias, que afetaram os fluxos comerciais e pressionaram as referências internacionais de preços. Mas as exportações da Braskem aumentaram 19% em relação as do 1T25, sendo explicado pelo maior volume de exportação de PE e PP, com destaque para a América do Sul em função da maior disponibilidade de produto. E, sobre a questão de investimentos, a Braskem Idesa tem previsto para este ano o recurso de US$ 104 milhões (R$ 623 milhões), sendo US$ 23 milhões (R$ 132 milhões) referentes à conclusão do terminal de importação de etano, o Terminal Química Puerto México (TQPM).

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