O Banco Central divulga nesta terça-feira, 5, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, realizada na semana passada. O mercado buscará entender o que levou o Banco Central brasileiro a adotar um tom tão hawkish em um documento que acompanha um corte de 25 pontos-base na Selic, decidido na última quarta-feira. A ata trouxe forte ênfase nos efeitos da guerra no Irã, com preocupação explícita quanto à extensão do choque de oferta, especialmente sobre as expectativas de inflação, que já dão sinais de desancoragem no Boletim Focus. A preocupação com a desancoragem figurou entre os fatores de risco de alta.
“Combinada com uma atividade econômica que veio acima do esperado no primeiro trimestre — ainda que em desaceleração na comparação com 2025 — e com índices de inflação em reaceleração, especialmente no setor de serviços (movimento já em curso antes da guerra), o quadro abre espaço para que o BC comece a esboçar a interrupção do processo de calibração da Selic nas próximas reuniões, possivelmente a partir de julho” diz Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
Esse, contudo, ainda não é o cenário-base. A interrupção se concretizaria se as expectativas de inflação — especialmente para 2028 — continuassem se distanciando do centro da meta de 3% ao ano e se a guerra seguisse penalizando os preços do petróleo e dos insumos agrícolas e industriais. Por isso, será essencial acompanhar o Boletim Focus de segunda-feira, para entender como os agentes de mercado estão revisando suas projeções do IPCA para 2027 e 2028.
“Vale lembrar que, no caso da inflação de 2026 — que pode encerrar o ano acima do teto da meta, 1,5 ponto percentual acima do centro de 3% —, a política monetária já não dispõe de instrumentos para conter o choque, dada a defasagem de seis a nove meses para que seus efeitos se materializem”, comenta Manzoni.

