Baixo percentual de reajuste dos medicamentos gera dificuldades para as farmácias gaúchas

Foto: Foto: EBC

Entra em vigor nesta quarta-feira, 1, o reajuste dos preços dos medicamentos autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), conforme portaria publicada no Diário Oficial da União. O reajuste médio ficou em 2,47% para 2026, sendo estabelecido o índice máximo de 3,81% para o Nível 1 (alta concorrência); de 2,47% para o Nível 2 (concorrência intermediária); e de 1,13% para o Nível 3 (baixa concorrência). Esses percentuais, que correspondem à inflação medida pelo IPCA em 12 meses encerrados em fevereiro, funcionam como um teto para as farmacêuticas.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado do Rio Grande do Sul (Sinprofar RS), Leomar Rehbein, explica que o reajuste dos medicamentos nem sempre ocorre com base no teto máximo definido pela CMED. Muitas farmácias optam por elevações menores de preço, a fim de conquistar e fidelizar clientes. “Outro detalhe é que o reajuste não é automático, ou seja, não significa que todos os medicamentos estarão com preços mais elevados a partir de 1º de abril”, ressalta o presidente do Sinprofar RS.

Rehbein lembra, ainda, que o reajuste é aplicado sobre a maioria dos medicamentos vendidos no país, que têm preços regulados. Em alguns casos, os preços são liberados. As farmácias podem repassar o aumento concedido de uma vez ou ´´parcelar´´ ele ao longo do ano, sempre respeitando o patamar estabelecido pela Câmara de Regulação. Para os consumidores que terão que lidar com novos preços, o presidente do Sinprofar RS recomenda que eles evitem comprar por impulso e façam uma boa pesquisa sobre os valores, buscando os mais acessíveis ao seu orçamento.

“Vale lembrar que a grande maioria das farmácias possui ainda programas de fidelidades com benefícios importantes para os consumidores, o que ameniza o reflexo do reajuste”, comenta. O presidente do Sinprofar RS reforça, mais uma vez, a necessidade da questão dos reajustes dos medicamentos ser revista, pois o setor farmacêutico é, hoje, o único segmento de bens de consumo regido por controle de preços no país.

“O modelo atual traz dificuldades para que os estabelecimentos farmacêuticos possam equilibrar suas contas, uma vez que na série histórica o reajuste acumulado de preços de medicamentos está abaixo do IPCA. Sabemos do impacto de reajustes de preços no orçamento das famílias, mas para o setor farmacêutico quanto menor for o valor do medicamento, maiores são os desafios e obstáculos para manter o equilíbrio financeiro . E, em 2026, o reajuste médio no preço dos medicamentos é o menor em quase 20 anos. E abaixo da inflação acumulada dos últimos 12 meses, que foi 3,81%”, conclui Leomar Rehbein.

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