Azeites gaúchos conquistam reconhecimento internacional em safra recorde

Foto: Créditos: freepik

A olivicultura do Rio Grande do Sul vive um momento histórico. A safra 2025/2026 foi a maior já registrada no Estado, com 1,17 milhão de litros produzidos. Ao mesmo tempo, marcas gaúchas conquistam espaço em avaliações internacionais. No Flos Olei 2027, guia de referência do setor, Sabiá e Prosperato estão entre os destaques brasileiros, ambas com 98 pontos em uma escala de 100. Ao todo, 15 produtoras brasileiras figuram entre as 500 propriedades mais bem avaliadas, distribuídas por 58 países.

Os resultados refletem um processo de desenvolvimento que envolve desde o manejo dos olivais até a forma como os produtos chegam ao consumidor. Nesse cenário, o Sebrae RS atua na qualificação técnica da produção e no desenvolvimento de estratégias para ampliar a presença dos azeites gaúchos no mercado.

Para Guilherme Fraga, especialista de Horticultura do Sebrae RS, a qualidade precisa ser acompanhada de mecanismos que a comprovem e de uma apresentação capaz de despertar o interesse do consumidor. “Ser, comprovar e parecer ser bom” resume essa lógica. Certificações e premiações ajudam a demonstrar a qualidade, enquanto a identidade visual e as embalagens contribuem para posicionar as marcas diante do público.

A reputação do setor é resultado de um processo gradual. “Isso foi uma construção de quase 20 anos”, afirma Fraga, ao destacar a evolução da produção gaúcha e a capacidade dos lagares do Estado de elaborar azeites de alta qualidade. As premiações nacionais e internacionais abrem possibilidades comerciais, mas também exigem estratégias para consolidar essa posição.

Parte desse trabalho começa no campo. O especialista explica que a escolha de variedades adaptadas às condições regionais, o manejo do solo e da nutrição das plantas, as podas e o controle integrado de pragas e doenças interferem na qualidade e na regularidade da produção. Um dos desafios é a alternância produtiva, fenômeno natural em que as oliveiras apresentam anos de maior e menor frutificação. O manejo adequado, incluindo a realização correta das podas, pode ajudar a reduzir seus efeitos e dar mais previsibilidade à atividade.

O momento da colheita também influencia o resultado final. De acordo com Fraga, para preservar os compostos responsáveis pelas características sensoriais do azeite, é necessário colher as azeitonas no estágio adequado de maturação e reduzir o intervalo entre a retirada dos frutos e o processamento. “Temperaturas mais baixas durante a colheita favorecem a conservação desses compostos”, ressalta. Por isso, alguns produtores já realizam o trabalho durante a madrugada. Em anos de produção elevada, o planejamento da mão de obra e da logística também ganha importância.

O Sebrae RS desenvolve ações de apoio à olivicultura na Campanha e na Fronteira Oeste, com foco nos aspectos técnicos e produtivos. A proposta é contribuir para o aprimoramento das práticas de manejo e para a redução dos problemas que afetam a regularidade das safras.

Diferenciação e acesso a mercados

Além da qualidade, a competitividade depende da forma como o azeite é posicionado comercialmente. Para o coordenador, a estratégia dos produtores gaúchos deve priorizar as características que distinguem seus produtos, em vez de concentrar a disputa no preço: “A gente não deve concorrer com o preço”.

Ele também pontua a importância de ampliar o conhecimento dos consumidores sobre as diferenças entre os produtos. “A gente também tem que formar um mercado consumidor que entenda da diferença da qualidade desses produtos para que passem a consumir mais produtos de alta qualidade”.

Essa combinação entre diferenciação e ampliação do consumo orienta o projeto de acesso a mercados Azeites Gaúchos, do Sebrae RS, desenvolvido em parceria com Roger Klafke, coordenador de Alimentos e Bebidas da entidade. Entre as ações estão a participação em feiras, o fortalecimento da presença das marcas em redes de comercialização e o aprimoramento de embalagens e identidade visual. O objetivo é ampliar a visibilidade dos produtores e criar oportunidades de relacionamento comercial.

Nos dias 5 e 6 de novembro, em Porto Alegre, o Sebrae RS apoiará a participação de oito clientes em uma feira de produtos vinculada ao Congresso Latino-Americano de Azeites, promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Sete deles trabalham com azeite de oliva, enquanto o oitavo atua com queijo e mel. A iniciativa busca aproximar os empreendedores de novas redes de negócios e apresentar a produção gaúcha a potenciais parceiros e consumidores.

Com uma safra recorde e marcas bem avaliadas internacionalmente, a olivicultura gaúcha tem a oportunidade de ampliar sua participação no mercado. O desafio é combinar aprimoramento técnico, regularidade produtiva e estratégias comerciais capazes de transformar qualidade em valor percebido e novas oportunidades de negócio.

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