Flexibilizar a lei de Faixa de Fronteira que bloqueia a entrada de investimentos estrangeiros em uma área de 150 quilômetros de fronteira, atingindo 60% do território gaúcho e 197 municípios foi a alternativa apontada para a retomada dos investimentos feita pelos palestrantes que participaram do Tá na Mesa da FEDERASUL desta quarta-feira (26). Participaram do debate o presidente da Farsul Domingos Velho Lopes, o presidente da Frente pelo Desenvolvimento da Região da Campanha Eraldo Vasconcelos de Souza, a presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal e o geólogo e presidente do Sindicato de Mineração de Goiás e Distrito Federal (MINDE), Luiz Antônio Vessani.
Souza acredita que a aprovação do PL 1455/22, que tramita no Congresso Nacional, e está sob a avaliação do senador Luís Calos Heinze que propõe a redução para 15 quilômetros pode destravar bilhões em investimentos. Ao apontar o paradoxo de que a Metade Sul possui 54% do território gaúcho e apenas 15% do PIB, mostra que a região não é pobre em recursos, é rica em potencial e pobre em decisões e foi empobrecida pelas escolhas.
Em sua manifestação, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes disse que o Brasil domina o impacto econômico das duas maiores demandas do século XXI: alimento e energia. Explicou que os números da última década revelam uma realidade incontestável: o mundo não seria capaz de sustentar seu crescimento calórico sem a infraestrutura do Brasil: não se trata de participação de mercado, trata-se de protagonismo absoluto.
A presidente do Sindienergia-RS Daniela Cardeal destacou que a reconstrução do estado, alinhada com investimento em um setor elétrico de baixo carbono e utilizando todas as fontes renováveis de energia vão beneficiar não somente o meio ambiente, mas também fortalecer a economia local e nacional, aumentando a segurança energética e promovendo o desenvolvimento sustentável. Destacou que 90% dos projetos de energia em tramitação no estado estão localizados na metade sul.
O geólogo Luiz Antônio Vessani comentou sobre o setor mineral no contexto da economia nacional, destacando que a mineração é a atividade com menor ocupação de área e maior valor agregado. Ocupa 0,4% da área utilizada no Brasil, gerando R$ 540 milhões por hectare, seis vezes mais que energia, pecuária e agricultura somados. Acrescentou que existe uma demanda global crescente por minerais representando uma oportunidade única para o Brasil, mas que apesar desse potencial, a produção brasileira cresce em ritmo mais lento nos principais minerais.

