O valor médio da dívida por consumidor negativado no Rio Grande do Sul chegou a R$ 7.849 em setembro, excluindo registros superiores a R$ 1 milhão. Cada pessoa com restrição em crédito, cheque ou protesto acumula, em média, 2,8 negativações, conforme levantamento da CDL Porto Alegre, a partir da base de informações da Equifax BoaVista. Os dados integram o Indicador de Inadimplência de setembro de 2026, que aponta aumento das restrições tanto entre pessoas físicas quanto jurídicas no Estado e na Capital.
Entre os consumidores, a taxa de inadimplência no Rio Grande do Sul alcançou 37,29%, avanço de 0,24 ponto percentual em relação a agosto. Em Porto Alegre, o indicador passou de 37,85% para 38,08%, com elevação de 0,23 ponto percentual. O resultado da Capital representa o maior índice da série histórica iniciada em 2022, enquanto o percentual estadual é o segundo mais elevado do período, atrás apenas dos 37,35% registrados em abril deste ano.
O levantamento também revela o grau de comprometimento financeiro da população inadimplente. No Estado, 44,3% dos consumidores negativados apresentam gastos que superam metade de sua renda mensal presumida. Já 27,4% têm comprometimento superior a 75% da renda e 18,6% registram despesas que ultrapassam a totalidade dos rendimentos presumidos.
Para o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, os resultados refletem um cenário desafiador para o orçamento das famílias, marcado pelos juros elevados, pela retomada das pressões inflacionárias e pelas dificuldades de planejamento financeiro. “Apesar da resiliência do mercado de trabalho e do conjunto de incentivos à demanda do governo, a inadimplência voltou a crescer. O custo do crédito elevado, a reaceleração dos preços e o desaquecimento da atividade econômica são componentes importantes nessa equação”, avalia.
Os recortes por perfil mostram que a inadimplência atinge de maneira mais intensa a população entre 25 e 39 anos, faixa etária em que 47,7% apresentam restrições. Na sequência aparecem os consumidores de 40 a 54 anos, com taxa de 41%. A renda também influencia os resultados: entre aqueles com rendimento mensal presumido de até R$ 1.400, a inadimplência chega a 43,5%, enquanto entre os que recebem acima de R$ 9 mil o percentual é de 23,1%.
Inadimplência de PJs
Entre as pessoas jurídicas, o Rio Grande do Sul registrou taxa de inadimplência de 16,29% em setembro, a segunda maior entre as unidades da Federação, atrás apenas de Mato Grosso, que apresentou índice de 16,46%. O indicador gaúcho avançou 0,25 ponto percentual em relação a agosto. Em Porto Alegre, o percentual passou de 15,92% para 16,15%, crescimento de 0,23 ponto percentual. A média nacional é de 11,23%.
Apesar da elevação no último mês, os indicadores vêm apresentando relativa estabilidade, após a melhora observada em junho, possivelmente associada aos efeitos do programa Desenrola Empresas, voltado à renegociação de dívidas de micro e pequenos negócios. Ainda assim, os percentuais permanecem elevados quando comparados aos registrados entre 2022 e 2024.
Segundo o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, o ambiente econômico continua exigindo atenção dos empreendedores. “A inadimplência das pessoas jurídicas permanece em patamares altos, mesmo após a melhora registrada ao longo do ano. Além das condições restritivas ao crédito e da desaceleração da economia, os negócios enfrentam pressões sobre os custos, agravadas pelo cenário internacional. Ademais, começam a sentir os impactos das condições climáticas sobre os preços de produtos sensíveis a essas variações”, explica.

