Os resultados da pesquisa indicadores conjunturais da indústria de máquinas e equipamentos referentes a agosto de 2026 mostram que o setor segue em trajetória de retração. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a receita líquida de vendas registrou uma queda de 13,2% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 177,6 bilhões. Os dados foram divulgados pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos nesta quarta-feira, 30.
No mês de agosto de 2026, a receita foi de R$ 23 bilhões, o que representou um recuo de 6,2% na comparação com julho de 2026 e uma queda de 15,5% frente a agosto de 2025. Esses dados confirmam que a demanda doméstica por investimento produtivo permanece bastante deprimida.
A receita interna de vendas do setor encerrou o mês de agosto de 2026 em R$ 16,8 bilhões, registrando queda de 9,7% frente ao mês anterior (julho) e retração acentuada de 16,4% em relação a agosto de 2025. No acumulado dos primeiros oito meses do ano (janeiro a agosto de 2026), a receita líquida interna acumulou baixa de 15,5%.
O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro, inibindo novos projetos de investimento industrial. No comércio exterior, as exportações de máquinas e equipamentos alcançaram US$ 1,18 bilhão em agosto de 2026, um crescimento de 4,6% sobre julho de 2026, embora com queda de 6,3% na comparação interanual com agosto de 2025.
Presença Chinesa
A combinação de retração na produção doméstica e alta nas importações acelerou a substituição de máquinas nacionais por importadas: Fatia de Importados: No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as máquinas importadas responderam por 47,6% do consumo aparente no Brasil. No mesmo período de 2025, essa fatia era de 45,3%. Participação da Indústria Nacional: A fatia da receita líquida interna no consumo aparente caiu para 52,4%.
A China amplia a liderança como principal fornecedora de máquinas para o mercado brasileiro:
- Importações da China (Jan-Ago/2026): US$ 8,00 bilhões, crescimento de 18,8% frente ao mesmo período de 2025.
- Participação no Total Importado: A China já responde por 36,0% de todas as importações brasileiras de máquinas e equipamentos.
- Demais Parceiros: As importações dos Estados Unidos caíram 2,7% (US$ 3,24 bilhões / 14,6% de participação), enquanto as da Alemanha somaram US$ 2,57 bilhões (11,6% de participação, variação de +1,0%).
Os indicadores de produção e mão de obra em agosto de 2026 revelam ajustes no setor:
- Emprego (Pessoal Ocupado): O número de trabalhadores ocupados no setor recuou para 403.294 pessoas no final de agosto de 2026. Trata-se de um recuo de 2,6% frente a julho e de 5,6% na comparação com agosto de 2025. No acumulado do ano, a média do pessoal ocupado registra variação de -0,3%.
- Utilização da Capacidade Instalada (NUCI): O NUCI subiu para 79,6% em agosto de 2026 (contra 78,9% em julho). A média no ano ficou em 78,6%.
- Carteira de Pedidos: A carteira média subiu para 10,1 semanas para atendimento em agosto (frente a 9,6 semanas em julho, alta de +5,5%). A média no ano é de 9,3 semanas.

