Inadimplência entre pessoas físicas volta a crescer no RS, diz CDL POA

Foto: Créditos: Foto: Marcello Casal Jr./ABr

A inadimplência das pessoas físicas voltou a crescer no Rio Grande do Sul em agosto, após três meses consecutivos de queda. O índice chegou a 37,05% da população adulta, ante 37,02% em julho, e permanece acima da média nacional, de 34,51%. Entre os gaúchos negativados, o valor médio da dívida é de R$ 7.943, com 2,8 registros, em média, por pessoa. O cenário é mais crítico entre os adultos de 25 a 39 anos, cuja incidência atinge 47,5%.

Em Porto Alegre, o indicador também avançou, passando de 37,59% em julho para 37,85% em agosto, alta de 0,26 ponto percentual. Com o resultado, a Capital atingiu o maior nível de inadimplência desde o início do levantamento, em fevereiro de 2022. Os dados da CDL Porto Alegre, extraídos a partir da base da Equifax | Boa Vista, também revelam o comprometimento do orçamento dos gaúchos. No Estado, 40,3% da população adulta gasta mais do que 50% da sua renda presumida mensal em despesas fixas e variáveis. Em 20,7% dos casos, o comprometimento ultrapassa 75% da renda e, para 12,4%, os dispêndios ultrapassam a própria renda mensal.

O recorte por faixa etária mostra que a taxa de inadimplência se concentra dos 25 aos 39 anos (47,5%), seguido das pessoas de 40 a 54 anos (40,7%) e os jovens de 18 a 24 anos (38,5%). A proporção diminui nas faixas seguintes: são 31,3% entre 55 e 64 anos e 22,8% entre aqueles com 65 anos ou mais.

A renda também evidencia diferenças. A maior taxa está entre os gaúchos com renda mensal presumida de R$ 1.401 a R$ 2 mil, dos quais 43,3% estão inadimplentes. Entre aqueles com renda de até R$ 1.400, são 40,7%, enquanto na faixa de R$ 2.001 a R$ 3 mil o percentual é de 38,7%. A incidência diminui nas faixas de renda mais altas e chega a 22,3% entre quem possui renda presumida superior a R$ 9 mil.

Na avaliação da Assessoria Econômica da CDL POA, o movimento recente reflete, entre outros fatores, a perda de fôlego do Novo Desenrola Brasil. O economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, chama atenção para o impacto da desaceleração da economia e dos juros elevados sobre as finanças das famílias. Conforme a análise, o comprometimento da renda mensal com o serviço da dívida — juros e amortizações — alcançou 28,85% em junho no Brasil, segundo dados do Banco Central, o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2005.

Frank aponta, ainda, fatores estruturais, como a falta de conhecimentos básicos para o uso adequado do crédito e a ampliação das apostas on-line, que podem comprometer recursos destinados inclusive a itens essenciais.

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