O Brasil registrou o maior patamar de inadimplência de sua história em julho, com 75,08 milhões de brasileiros com cotas em atraso. O dado faz parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Este volume representa 44,75% da população adulta brasileira. A variação anual observada em julho deste ano ficou acima da observada no mês anterior. Na passagem de junho para julho, o número de devedores cresceu 0,47%.

O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos (38,97%).

“O consumidor enfrenta barreiras contínuas para se manter longe da inadimplência, o que impõe sérios desafios ao país e freia o dinamismo necessário para o crescimento econômico sustentável. Fica evidente que as medidas adotadas até o momento, como programas de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, não têm sido suficientes para conter a expansão desse cenário adverso.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Dívidas por região, faixa etária e gênero
A maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, somando 18,19 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,68%) da população nesta faixa etária está negativada.
A distribuição é equilibrada, com leve predominância feminina: sendo 51,39% mulheres e 48,61% homens.

Observando os resultados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 10,68%, seguido pelo Norte (9,07%), Sudeste (6,53%), Centro‐Oeste (6,34%) e Nordeste (4,88%).

Em julho de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.205,30. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,34 empresas credoras.
Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (28,94%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 41,16% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.

“A escalada do endividamento reflete a dura realidade de quem tenta, sem sucesso duradouro, escapar da malha de contas em atraso A dificuldade em honrar compromissos essenciais aparece refletida diretamente nos dados de endividamento, com saltos expressivos justamente nas contas de serviços básicos — como água e luz, evidenciando que uma parcela significativa da população enfrenta barreiras severas apenas para manter a subsistência e o funcionamento do lar.”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
Em julho de 2026, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 14,18% em relação ao mesmo período de 2025. O dado observado em julho deste ano ficou acima da variação anual observada no mês anterior.
Na passagem de junho para julho, o número de dívidas apresentou alta de 1,07%.

Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou‐se a evolução das dívidas com o setor de Água e Luz com crescimento de 22,00%, seguido de Bancos (12,92%) e Comunicação (12,62%) Em outra direção, as dívidas com o setor credor de Comércio (‐0,55%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso.
Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 65,91% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,63%), o setor de Outros com 9,58% e Comércio com 8,21% do total de dívidas.

Na abertura por região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio da região Sul (17,52%), seguida pelo Norte (16,18%), Sudeste (13,28%), Centro‐Oeste (12,53%) e Nordeste (10,81%).

Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,60% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 40,64% da população adulta.


