O Brasil desponta como um dos mercados mais avançados na adoção de inteligência artificial para comunicação com clientes. De acordo com o estudo global The AI Production Paradox, realizado pela Sinch com 2.527 líderes empresariais de dez países, 76% das empresas brasileiras já operam agentes de IA em produção, bem acima da média global de 62% e do índice registrado nos Estados Unidos (67%).
O levantamento revela, porém, que a velocidade da adoção vem acompanhada de novos desafios. O Brasil registra uma taxa de 80% de organizações que precisaram interromper ou reverter implementações de IA por questões de governança, acima da média global de 74%. Além disso, 39% dos casos de rollback no país ocorreram por vazamento de dados ou informações pessoais (PII), percentual superior ao dos Estados Unidos (24%) e do Canadá (16%).
Apesar desses desafios, as empresas brasileiras seguem acelerando os investimentos. Dois terços (66%) planejam ampliar em mais de 25% seus investimentos em IA, um índice superior ao dos Estados Unidos (61%), Reino Unido (49%), França (45%) e Alemanha (53%). Apenas a Índia apresenta intenção maior de expansão, com 71%.
Outro indicador que demonstra o dinamismo do mercado brasileiro é o movimento de revisão da infraestrutura tecnológica. Quase metade das empresas (48%) afirma estar avaliando novos fornecedores para suportar a estratégia de IA, percentual superior ao dos Estados Unidos (42%), México (37%), Reino Unido (31%) e Canadá (25%). Apenas a Índia registra índice ligeiramente superior, com 50%.
América Latina
A pesquisa mostra uma clara divisão dentro das Américas. Enquanto a América do Norte avança de forma mais cautelosa, a América Latina apresenta um ritmo muito mais agressivo de investimentos. Empresas latino-americanas têm quase o dobro da intenção de elevar investimentos em mais de 50% (21% contra 12% na América do Norte) e também maior proporção de projetos já em estágio avançado de produção.
Por outro lado, esse avanço cobra seu preço. Na América Latina, 41% das organizações precisaram desligar agentes de IA devido a vazamentos de dados, praticamente o dobro da taxa observada na América do Norte (26%).
Segundo a pesquisa, essa diferença demonstra que o desafio deixou de ser colocar a IA em produção e passou a ser sustentá-la com infraestrutura, governança e segurança adequadas. Nas Américas, 87,2% das empresas consideram a infraestrutura de comunicação essencial para sua estratégia de IA e o mesmo percentual afirma já ter avaliado ou estar negociando com novos fornecedores nos últimos 12 meses.
Na comparação internacional, o Brasil aparece entre os países mais avançados na adoção da IA corporativa. Apenas Índia (68%) supera ligeiramente os Estados Unidos (67%) em confiança para adoção, enquanto o Brasil combina alta maturidade operacional (76% em produção), forte intenção de investimento (66%) e um dos maiores índices de avaliação de novos parceiros tecnológicos (48%).
O estudo conclui que a nova corrida da inteligência artificial será decidida menos pelos modelos de IA e mais pela qualidade da infraestrutura que sustenta essas aplicações. Quanto maior a maturidade da infraestrutura e da governança, maiores as chances de sucesso na operação em escala.

