A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) alerta para um possível aumento global nos preços dos alimentos devido aos impactos do fenômeno climático El Niño e aos conflitos em regiões estratégicas. A previsão é de que os valores das matérias-primas comecem a subir nos próximos meses.
De acordo com o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, “as probabilidades são altas de que seja um El Niño intenso como o de 2015, ou o anterior, que também foi muito forte. Já sabemos que isso vai acontecer e temos informações que podem nos ajudar a melhorar a alocação dos nossos recursos públicos e privados. Vamos priorizar a solução e tornar as medidas antecipadas nas áreas mais afetadas”.
As tensões no estreito de Ormuz e na Ucrânia também ameaçam a cadeia produtiva alimentar. Fatores como alta do petróleo, escassez de fertilizantes do Golfo e condições meteorológicas extremas contribuem para uma pressão maior sobre os custos.
Segundo Torero, leva de três a seis meses para que os consumidores sintam o aumento nos preços, mas os impactos já podem ser percebidos. “Tudo que cresce rente ao solo, como espinafre, coentro ou abóbora, já subiu. Tudo ficou mais caro”, afirma a vendedora chilena Jacqueline Carreno.
No Brasil, o El Niño deve provocar fortes chuvas na região Sul. Já Norte e Nordeste devem enfrentar seca, enquanto Sudeste e Centro-Oeste podem sofrer com calor extremo. A expectativa é de que o fenômeno se intensifique durante o segundo semestre, e os efeitos podem perdurar até o início do próximo ano.
(*) com R7

