Passa a vigorar neste sábado (1º) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e Singapura, o primeiro tratado comercial do bloco sul-americano com um país asiático desde 2011. Embora Singapura já aplicasse tarifa zero para praticamente todos os produtos brasileiros, o acordo consolida as condições de acesso ao mercado singapuriano, amplia a segurança jurídica das relações comerciais e estabelece diretrizes em áreas como comércio de bens e serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais e facilitação de comércio.
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o acordo tem relevância estratégica diante da posição de Singapura como um dos principais hubs comerciais, logísticos, financeiros e tecnológicos da Ásia. “Singapura é uma economia altamente aberta, integrada às cadeias globais de valor e com forte visibilidade para os demais mercados asiáticos. O ganho do acordo para o exportador gaúcho está menos na redução tarifária e mais na facilitação do comércio entre os países, com menor burocracia e maior previsibilidade”, avalia.
O acordo com Singapura garante mais segurança e previsibilidade às exportações da agroindústria nacional, por exemplo, com regras sanitárias mais transparentes e processos mais ágeis. Além disso, a partir da vigência do acordo, as empresas gaúchas poderão participar da disputa por licitações governamentais singapurianas sem qualquer discriminação, o que gerará demanda para exportação de bens e serviços diversos, com um cenário mais favorável para a expansão dos aportes, sobretudo em setores estratégicos como infraestrutura e logística.
Sob o ponto de vista da abertura comercial do Mercosul, serão liberalizadas 95,8% das linhas e mais de 90% do valor importado com desgravação em até 15 anos, grande parte dos produtos que já tinham tarifas reduzidas de importação terão acesso liberado imediatamente. Já os produtos com alíquotas mais altas e de maior sensibilidade terão seu acesso liberalizado na sua maioria entre o oitavo e décimo ano de vigência do acordo.
CENÁRIO ATUAL
Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 349 milhões para Singapura. A totalidade das vendas foi composta por produtos da indústria de transformação, evidenciando o perfil predominantemente industrial da relação comercial entre o estado e o país asiático. A pauta exportadora, contudo, apresenta elevada concentração em poucos segmentos. Entre os principais setores estão Coque e derivados de petróleo, com US$ 183 milhões e participação de 52,4% no total embarcado, e Alimentos, com US$ 148 milhões e participação de 42,3%. Juntos, os dois segmentos responderam por aproximadamente 94,7% das exportações gaúchas destinadas a Singapura em 2025. Em seguida, aparecem Máquinas e equipamentos (US$ 11,4 milhões), Químicos (US$ 2,8 milhões) e Máquinas e materiais elétricos (US$ 1,8 milhão).
O principal item vendido pelo Rio Grande do Sul foi óleos combustíveis, exceto diesel, responsável por US$ 181 milhões. Na sequência, destacaram-se carnes e miudezas de aves congeladas (US$ 82,9 milhões) e carnes de suínos congeladas (US$ 57 milhões). Somados, esses três produtos representaram cerca de 91,8% das exportações gaúchas para Singapura no período.

