A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga, nesta segunda-feira (1º), pesquisa inédita sobre a percepção dos brasileiros em relação à economia circular. O levantamento mostra que, embora 72% da população veja de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, ainda existe resistência para o consumo de produtos reciclados e para a adoção de hábitos mais circulares no país.
Os dados serão apresentados no evento “Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31”, promovido pela CNI na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). A iniciativa integra a programação da Rio Nature and Climate Week e reunirá representantes da indústria, do governo e do setor financeiro para discutir prioridades e propostas do setor privado para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para novembro, na Turquia.
A pesquisa de opinião pública da CNI foi realizada pela Nexus e entrevistou presencialmente 2.019 pessoas em todas as regiões do país entre 11 e 13 de fevereiro. Segundo a pesquisa, 43% dos brasileiros afirmam resistir à compra de produtos reciclados, independentemente do valor. Entre os principais motivos estão a preferência por produtos novos (34%) e dúvidas sobre a durabilidade dos itens reciclados (30%).
Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, os dados mostram que a transição para uma economia circular passa pela oferta de soluções sustentáveis e pelo fortalecimento da confiança do consumidor.
“Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros”, afirma.
Economia circular e conscientização
O levantamento também mostra um descompasso entre percepção ambiental e comportamento cotidiano. Embora a economia circular avance no debate público, apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito. Além disso, 56% da população não percebe relação direta entre seus hábitos de consumo e as emissões de gases de efeito estufa.
A pesquisa mostra ainda que 84% dos brasileiros não costumam devolver (logística reversa) itens para seus pontos de origem, como pilhas, baterias e eletrônicos. Entre os principais obstáculos apontados estão a falta de informação (33%) e a distância dos pontos de coleta (24%). Apesar dos desafios, a pesquisa identifica práticas já incorporadas ao cotidiano da população. Cerca de 58% dos brasileiros afirmam consertar produtos antes de substituí-los. Entre eles, metade aponta a economia financeira como principal motivação. Apenas 10% relacionam essa decisão à preocupação ambiental.
“Temos espaço para ampliar a conscientização da sociedade sobre circularidade e fortalecer políticas públicas capazes de incentivar modelos mais sustentáveis de produção e consumo. A economia circular depende de uma transformação sistêmica, que envolve informação, infraestrutura, ambiente regulatório e engajamento de toda a cadeia produtiva”, destaca Davi Bomtempo.
Segundo a CNI, esse cenário reforça a importância da aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Para a entidade, a proposta pode estimular investimentos, ampliar a competitividade da indústria brasileira e incentivar práticas sustentáveis de consumo.

