O queijo artesanal gaúcho vive um momento de consolidação. Com produtos cada vez mais qualificados, reconhecimento em concursos nacionais e internacionais e produtores que transformaram tradições familiares em negócios estruturados, o setor chega à edição de 2026 do Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do Rio Grande do Sul celebrando não apenas sabores, mas também identidade, território e história.
Até este domingo, a Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, recebe mais uma edição do evento promovido pela Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios Artesanais (AGL) e Sebrae RS, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (SDR) e de diversas entidades públicas e privadas. A programação reúne concurso técnico, seminário, oficinas de harmonização e feira aberta ao público com produtores de diferentes regiões do Estado.
Mais do que uma vitrine, o concurso se tornou, ao longo dos últimos anos, um dos principais motores de valorização do setor artesanal gaúcho. Para Aline Balbinoto, especialista de Leite e Derivados do Sebrae RS, o evento representa uma importante ferramenta de reconhecimento e evolução para os empreendedores. “Para um produtor artesanal, ter seu produto avaliado e premiado por um corpo de jurados técnicos é uma das principais validações do seu trabalho. O concurso acaba funcionando como um grande catalisador de todo o amadurecimento do setor”, contextualiza.
De acordo com a especialista, o avanço mais perceptível está na mudança de mentalidade dos produtores. “Hoje existe um olhar muito mais profissionalizado. Não é mais apenas produzir um bom queijo, mas dominar a técnica, estruturar o negócio, buscar mercado e construir identidade própria”, explica.
Essa evolução também é percebida por Danilo Cavalcanti Gomes, coordenador técnico do concurso e um dos idealizadores da iniciativa. Criado há cinco anos com o objetivo de aproximar o queijo artesanal gaúcho do público da capital e abrir espaço para discussões técnicas sobre o setor, o evento cresceu junto com os produtores. “Talvez a principal transformação tenha sido fortalecer a autoestima dos nossos produtores e potencializar uma identidade queijeira no Estado, que antes ainda era muito tímida”, destaca.
Gomes lembra que, desde as primeiras edições, o concurso apostou em trazer jurados de diferentes estados e países, contribuindo diretamente para a evolução técnica dos produtos. Ele conta que “mais importante que a medalha é o retorno técnico que o produtor recebe. Isso ajuda a validar caminhos, corrigir processos e evoluir continuamente”.
Hoje, o crescimento do concurso também acompanha o interesse crescente do público pelos produtos artesanais gaúchos. “A cada edição, muitos consumidores descobrem que existem queijos e doces de leite no Rio Grande do Sul com qualidade e diversidade que eles sequer imaginavam. Além dos produtos, existem histórias e territórios muito fortes por trás de cada queijo”, completa o coordenador.

