Empresários do setor de alimentação e bebidas do Rio Grande do Sul participam de uma imersão internacional em um dos principais eventos globais do segmento. Entre os dias 16 e 19 de maio, o grupo integra a programação da NRA Show 2026, realizada no McCormick Place, em Chicago. A iniciativa é promovida pelo Sebrae RS e faz parte de uma estratégia de desenvolvimento empresarial voltada à competitividade dos pequenos negócios.
A proposta vai além da participação na feira e envolve uma jornada estruturada que inclui seleção, preparação, imersão orientada e acompanhamento após o retorno ao Brasil. A ideia é proporcionar acesso qualificado a um mercado considerado mais maduro no setor de gastronomia. “O nosso objetivo é permitir um mergulho organizado em uma cultura empresarial muito consolidada e que ainda é referência para nós, brasileiros. É dar acesso a esse ambiente e permitir que o empresário observe o que faz sentido adaptar na sua realidade”, afirma o especialista em competitividade do Sebrae RS, Roger Klafke.
O processo de participação começa meses antes da viagem, com a abertura de inscrições e seleção, a partir de critérios como maturidade do negócio, momento estratégico e capacidade de investimento. Os participantes também apresentam suas expectativas em relação à missão, o que contribui para a construção de uma programação alinhada às necessidades do grupo. Antes do embarque, são realizados encontros de preparação e consultorias individuais para garantir que os empresários cheguem ao evento com propósitos claros e foco definido.
“Nosso papel é preparar essa turma para que vá de maneira organizada, com a cabeça aberta para aprender e com clareza sobre o que observar. Isso aumenta muito a chance de transformar o conhecimento em resultado quando eles retornam”, explica Klafke.
Durante a feira, a equipe conta com curadoria de conteúdos e visitas orientadas, voltadas a temas estratégicos para o setor. Entre os principais pontos de atenção estão hospitalidade e experiência do cliente, produtividade, uso de tecnologia, organização de processos, engenharia de cardápio, valorização de insumos locais e o uso de dados para relacionamento e fidelização de clientes.
EXPECTATIVA
Segundo o especialista, a expectativa em relação à participação na NRA Show também é trabalhada previamente com o grupo. “Muitas vezes, existe a ideia de encontrar uma grande tendência ou uma solução única que resolva tudo, mas não funciona assim. O que a gente vê é um conjunto de práticas, referências e insights que, quando aplicados, ajudam a melhorar processos, produtos e serviços”, destaca.
Outro eixo importante da imersão é a observação de como o mercado norte-americano lida com desafios que também estão presentes no Brasil, como a gestão de equipes e a escassez de mão de obra. Nesse contexto, ganham destaque soluções voltadas à produtividade, uso de equipamentos e tecnologias, além de estratégias de valorização da equipe e qualificação do atendimento.
A valorização de insumos e da cultura local também aparece como tendência relevante. A proposta é observar como ingredientes regionais podem ser incorporados à narrativa dos negócios, gerando valor percebido para o cliente e fortalecendo a identidade das operações. Klafke conta que “existe um olhar muito forte para o uso inteligente dos ingredientes e para a construção de uma história por trás do produto. Isso agrega valor e pode ser aplicado à nossa realidade”.
Mais um ponto de atenção é o uso de dados e ferramentas de relacionamento com o cliente, como sistemas de CRM e programas de fidelidade. O mercado norte-americano apresenta soluções mais avançadas nesse campo, com estratégias voltadas à personalização da experiência e à geração de recorrência.
A escolha de Chicago como sede permanente da feira contribui para o caráter estratégico da missão. A cidade é historicamente um dos principais polos de alimentação dos Estados Unidos, com forte ligação ao agronegócio e à indústria de alimentos. Foi a partir dali que surgiram importantes avanços logísticos, como a distribuição de proteínas em larga escala, além da consolidação de grandes empresas do setor.
Atualmente, Chicago reúne cerca de 10 mil restaurantes e uma forte presença de redes e franquias, que representam uma parcela significativa do faturamento do food service no país – um cenário diferente do brasileiro, marcado pela predominância de pequenos negócios independentes. O especialista pontua que “a cidade respira gastronomia e tem uma estrutura completamente preparada para um evento desse porte. Isso amplia muito o repertório dos empresários que participam da missão”.
Após a experiência internacional, os empresários seguem acompanhados pelo Sebrae RS por até seis meses, com foco na implementação prática dos aprendizados. Embora o ritmo de aplicação varie de acordo com cada negócio, os resultados costumam aparecer em diferentes frentes, como criação de novos produtos, ajustes em cardápios, melhorias em processos, investimentos em estrutura e adoção de novas tecnologias.

