Após duas décadas de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia (UE) passa a valer nesta sexta-feira (1º), com impactos favoráveis para a economia gaúcha. Dos US$ 2,8 bilhões exportados pelo estado para UE, cerca de 43% terão isenção tarifária nesta primeira fase do tratado, o equivalente a US$ 1,2 bilhão. São 500 itens incluídos imediatamente, que se somam a outros 400 já vendidos sem imposto para o bloco europeu.
Em quatro anos, 93% (US$ 2,5 bilhões) da pauta exportadora do Rio Grande do Sul ao bloco estará isenta, enquanto o cronograma completo de desgravação dos 1,5 mil produtos exportados se estende por 15 anos.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destaca a importância do início do tratado e a necessidade de preparação para ampliar as vendas externas, além de gerar emprego e renda. “É fundamental saber aproveitar este momento. É um acordo celebrado, muito bem construído, que cria oportunidades importantes, mas que também exige a construção de um ecossistema de competitividade para a indústria, com avanços em produtividade, inovação e redução do custo Brasil”, afirma.
Bier também ressalta que os efeitos do acordo vão além do comércio. “Não se trata apenas de ampliar exportações. O acordo também facilita o acesso a tecnologias, processos e insumos mais avançados, o que pode contribuir para elevar a eficiência e a competitividade da indústria brasileira”, acrescenta.
Dos 500 itens que entraram imediatamente com tarifa zero na União Europeia, os 10 mais impactados são:
- Partes superiores de calçados e seus componentes, exceto contrafortes e biqueiras rígidas
- Outras partes exclusiva ou principalmente destinadas aos motores de pistão, de ignição por centelha
- Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e preparações, exceto desperdícios
- Couros e peles acamurçados (incluída a camurça combinada)
- Flaps, protetores, bandas de rodagem, para pneus de borracha
- Couros e peles, incluídas as ilhargas, de bovinos ou de equídeos, preparados após curtimenta ou secagem, divididos, com a flor
- Magnetos; dínamos-magnetos; volantes magnéticos, para motores de ignição por centelha ou por compressão
- Árvores (veios) de transmissão, incluídas as de excêntricos (cames) e virabrequins (cambotas) e manivelas
- Peptonas e seus derivados; outras matérias proteicas e seus derivados; pó de peles
- Pneus novos de borracha dos tipos utilizados em automóveis de passageiros
A FIERGS considera que um acordo dessa magnitude pode gerar sensibilidades em segmentos específicos, mas o tratado prevê um cronograma de desgravação tarifária e dispositivos de salvaguarda amplamente discutidos. O prazo gradual é considerado fundamental para que os setores mais vulneráveis às importações realizem as adequações necessárias e mantenham a competitividade no mercado internacional. “Em relação aos setores industriais sensíveis, precisamos trabalhar junto aos governos estadual e federal instrumentos de defesa que preservem a competitividade, os empregos e a indústria do Rio Grande do Sul”, afirma Bier.
REFLEXOS
No horizonte de 15 anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial de acrescentar 4,6% ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 31 bilhões. Estimativas da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS indicam que as exportações industriais gaúchas para o bloco europeu podem crescer cerca de US$ 801,3 milhões no período.
Entre os segmentos da Indústria de Transformação, os mais beneficiados tendem a ser Tabaco, Químicos, Couro e calçados, Alimentos e Celulose e papel. O avanço das vendas industriais no longo prazo também deve impactar o mercado de trabalho formal, com estimativa de geração de 31 mil novos empregos na Indústria de Transformação gaúcha.
Em 2025, a União Europeia foi o segundo principal destino das exportações gaúchas entre os blocos econômicos, com US$ 2,8 bilhões, o equivalente a 13% do total exportado. Também foi a quarta principal origem das importações, com US$ 1,4 bilhão (11,1% do total). No mesmo ano, o Rio Grande do Sul ocupou a sexta posição entre os estados brasileiros que mais exportaram para o bloco e a oitava entre os que mais importaram.

