Empresa japonesa vai investir US$ 100 milhões no primeiro projeto de energia eólica flutuante do Brasil

Foto: Crédito: Freepik

Uma reunião entre as Secretarias de Desenvolvimento Econômico (Sedec), do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e a JB Energy, empresa japonesa especializada em energia eólica offshore (em alto-mar) selou o primeiro projeto-piloto de energia eólica offshore flutuante do país, que será instalado em águas profundas próximo ao Porto de Rio Grande, o Aura Sul Wind. Com um investimento inicial de US$ 100 milhões e previsão de geração de 5 mil a 10 mil empregos diretos e indiretos, a instalação está prevista para 2029.

A plataforma flutuante é projetada para águas profundas, acima de 50 metros, onde fundações fixas não são viáveis. A tecnologia utilizada pela empresa se destaca por sua estrutura modular de concreto armado, uma alternativa que reduz em até 50% tanto o custo quanto o tempo de construção, e pode ser realizada na parte portuária e, posteriormente, transportada por rebocadores até o local onde será instalada e ancorada.

A instalação em áreas mais afastadas da costa também resulta em menor impacto ambiental e visual. Outro diferencial é a durabilidade da estrutura, com vida útil estimada de 25 anos, além da baixa manutenção em ambiente marinho. O projeto é considerado binacional, entre Brasil e Japão. Será utilizada a tecnologia japonesa do flutuador, adaptada à cadeia de suprimentos brasileira.

O diretor-presidente (CEO) da empresa, Rodolfo Gonçalves, explicou que o projeto está em sua primeira fase, e que, em uma parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no RS (Sinduscon-RS), será apresentado a empresas do Estado que possam atuar em sua construção. O Aura Sul Wind também foi divulgado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), para que os grupos de pesquisa – tanto de engenharia quanto do setor ambiental – possam se envolver. Gonçalves explicou que o projeto já tem o termo de referência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e que a empresa tem trabalhado a questão do licenciamento ambiental desde o início.

RS EM DESTAQUE

Além da boa capacidade dos ventos, a escolha pelo Rio Grande do Sul, segundo a empresa, se deu em razão de o Estado possuir uma indústria naval consolidada, principalmente no município Rio Grande, cujo estaleiro já tem experiência em estruturas flutuantes por conta do trabalho para grandes projetos de óleo e gás para a Petrobras. A atividade de manutenção dos futuros parques eólicos também foi destacada, uma vez que o RS possui um ecossistema completo para isso. “Esse é um projeto muito grande, que passa pela academia, pela geração de emprego, pela preparação de recursos humanos e pela indústria”, explicou Gonçalves.

Além do alinhamento com agendas globais de descarbonização, o projeto está em consonância com o habilitador “Recursos Naturais”, do Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do RS, que prevê o incentivo às energias renováveis. A parceria com o Japão também representa uma oportunidade de inserir o Estado em redes internacionais de inovação energética.

A JB Company foi uma das participantes da reunião estratégica voltada à descarbonização dos portos, com foco no avanço da energia eólica offshore, promovida pela Portos RS e pela Invest RS, com apoio da Sedec, realizada na sede da agência de atração de investimentos, em São Paulo. O encontro reuniu representantes de portos, investidores e autoridades do setor para discutir oportunidades na transição energética e apresentar o potencial competitivo do Estado. A reunião com a pasta é um dos desdobramentos desta agenda.

Durante o encontro, o titular da Sedec, Leandro Evaldt, destacou a importância do projeto para acelerar a transição energética e reforçou o compromisso do governo em apoiar projetos que tragam inovação e desenvolvimento econômico. O secretário reforçou, também, que o Aura Sul Wind irá impactar nas cadeias produtivas locais, como a indústria, os serviços e a logística.

“Esse projeto de energia eólica offshore pode colocar o Rio Grande do Sul em posição de destaque nos cenários nacional e internacional, atraindo investimentos e gerando empregos qualificados. Estamos diante de uma oportunidade histórica de transformar o Estado em um polo de energia limpa, garantindo benefícios ambientais e sociais para toda a população”, afirmou Evaldt.

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