Fecomércio-RS Debate destaca IA como vetor estratégico para transformação dos negócios

Foto: Crédito: Agência Gov | Via Serpro

A inteligência artificial como motor de transformação estrutural dos negócios foi o eixo central da 3ª edição de 2026 do Fecomércio-RS Debate, realizada no final da manhã desta quinta-feira, 23, na Casa do Comércio Gaúcho, em Porto Alegre. O encontro recebeu empresários, especialistas e autoridades para discutir como a adoção estratégica de tecnologias está redesenhando a forma de operar, vender e se relacionar com clientes.

Na abertura, o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, destacou que a IA deixou de ser tendência para se consolidar como realidade concreta no ambiente empresarial. “Estamos diante de uma mudança comparável ao surgimento da internet ou dos smartphones, que exige de todos nós uma postura mais aberta, adaptável e estratégica. A tecnologia, por si só, não transforma negócios, o que os transforma é a forma como utilizamos essas ferramentas para gerar valor real”, afirmou.

Representando o Governador do Estado, Eduardo Leite, o diretor-geral da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Sandro Kirst, reforçou a importância da integração entre diferentes setores. “Esse tema conversa diretamente com a secretaria. Precisamos dialogar com academia, mercado e sociedade civil para trazer inovação, ciência e tecnologia que melhorem a vida do cidadão. A inteligência artificial é um processo sem volta”, pontuou.

A mediação foi conduzida por Gelson Junqueira, coordenador de Desenvolvimento de Negócios na Fecomércio-RS, com atuação estratégica no fortalecimento de ecossistemas de inovação e MBA em Gestão de Pessoas, que abriu o debate destacando um desafio recorrente nas empresas relacionado à transformação digital: a execução. “É um tema presente nas organizações, mas que muitas vezes fica no papel e demora a ser colocado em prática”, observou.

MUDANÇA ESTRUTURAL

Durante o painel, Carolina Beatriz Filippelli de Morais, líder de Desenvolvimento de Negócios no Lab Fecomércio-RS, com experiência nas áreas comercial, administrativa e financeira e atuação em inovação e inteligência artificial aplicada a negócios, trouxe uma abordagem didática sobre transformação digital. “É uma mudança estrutural. Não é apenas digitalizar documentos ou adotar tecnologia isoladamente. É preciso mudar cultura e processos”, explicou. Segundo ela, a presença digital das empresas deixou de ser opcional: “97% dos consumidores buscam produtos e serviços online antes de comprar. A venda começa no sofá de casa”.

Carolina também destacou a diferença entre utilizar e implementar inteligência artificial. “Usar IA é diferente de integrá-la estrategicamente ao negócio. Precisamos entender qual problema estamos tentando resolver com tecnologia”, afirmou, reforçando ainda que “hiperpersonalização não é mais luxo, é necessidade”.

Na mesma linha, João Lorentz, acadêmico de Engenharia de Software e sócio da startup Econecta, com atuação em soluções para otimização de processos e aumento de conversões, abordou a experiência do cliente como fator decisivo para resultados. “67% dos clientes não voltam a comprar após uma experiência negativa. Velocidade, disponibilidade, uniformidade e personalização são essenciais”, destacou. Ele apresentou a solução ChatOnCloud, que centraliza canais digitais e dados, permitindo a criação de agentes de IA personalizados e o monitoramento de métricas em tempo real. “A implementação já traz resultados imediatos, principalmente na visibilidade de indicadores que antes passavam despercebidos”, explicou.

Já Rafael Souza, fundador da TRION, consultoria especializada em automação de processos, dados e inteligência operacional, ressaltou a importância da estrutura organizacional na adoção da tecnologia. “A IA potencializa a realidade da empresa. Se há falhas nos processos, ela apenas escala o erro”, alertou. Segundo ele, muitas organizações ainda enfrentam desafios básicos antes de avançar na implementação. “Ferramentas brilhantes acabam subutilizadas por falta de organização interna”, disse. Para Souza, o momento exige ação: “Há pouco tempo falávamos que a IA chegaria. Hoje, ela já chegou, e ainda estamos aprendendo como usá-la”.

O debate também contou com a participação do público, que levantou temas como educação, velocidade das mudanças tecnológicas e impactos no relacionamento humano. Entre os pontos destacados, os painelistas foram unânimes ao reforçar a importância da qualificação contínua. “A educação é a base de tudo. Quem se antecipou às tendências saiu na frente”, afirmou Carolina. João complementou: “Não deixe para amanhã a tecnologia que pode ser implementada hoje”, enquanto Rafael reforçou a necessidade de atenção constante às transformações do mercado. Ao abordar desafios, os participantes apontaram a perda de interação humana como um dos possíveis efeitos negativos da IA, mas destacaram que o equilíbrio entre tecnologia e relacionamento segue sendo essencial para o sucesso dos negócios.

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